Problema da inflação no Brasil vai se transferir para 2022, afirma economista

Ouvido pela CNN Rádio, Alvaro Bandeira vê cenário complicado nos preços e aponta outras preocupações com a economia do país

Dólar alto, agricultura com quebra de safra e risco de falta de energia pressionam a inflação no país
Dólar alto, agricultura com quebra de safra e risco de falta de energia pressionam a inflação no país Getty Images

Amanda Garciada CNN*

Em São Paulo

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Em entrevista à CNN Rádio, o economista-chefe do ModalMais, Alvaro Bandeira, disse que a previsão é de que a inflação oficial fique acima de 8% no Brasil até o final do ano. Isso significa que “o problema se transfere para 2022.”

O desafio, segundo ele, é “tirar essa inflação e chegar a 3,5%, que é o centro da meta para o ano que vem”: “Teremos pressões inflacionárias muito grandes, em várias áreas, como o dólar alto, agricultura com quebra de safra, falta de energia, então é complicado.”

A indicação da última terça-feira (14) do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, é de que a taxa Selic suba um ponto percentual na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da semana que vem.

“Ficaria mais confortável com alta de 1,25%, mas, em compensação, se projeta, até o fim do ano, que haja subidas de 1 por cento em cada reunião, o que levaria a 8,25% até o fim do ano”, comentou.

A questão do consumo também é um fator de preocupação para Alvaro Bandeira. “A gente tem uma situação em que o nível de endividamento das famílias bateu recorde em julho, considerando a parte imobiliária, o nível de renda não vai crescer, o consumo tende a ficar num patamar mais fraco.”

“A gente precisa de políticas mais consistentes para estimular consumo e produtividade das empresas, daí deriva a redução do desemprego, que ainda é alto, de 14,1%, com 32 milhões de pessoas com falta de trabalho. A gente precisa sim de políticas sociais, mesmo com o orçamento curto”, completou.

*Com produção de Larissa Coelho

 

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