PS5 some das prateleiras e Walmart e varejistas lutam para enfrentar “bots”

Medidas de isolamento social impulsionaram a revenda de produtos online para um nível nunca antes alcançado, afirmaram especialistas em cibersegurança

Logo do Walmart
Logo do Walmart Foto: Edgard Garrido/Reuters

Richa Naidu e Melissa Fares, da Reuters

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Por sete vezes no mês passado, Benjamin Karmis, um padre de 26 anos de Wheaton, Estados Unidos, tentou sem sucesso comprar o PlayStation 5 em sites de varejo incluindo do Walmart e o Facebook Marketplace.

Ele não conseguiu comprar o console de videogame lançado recentemente pela Sony. Não porque outra pessoa chegou na frente, mas porque ele e outros consumidores foram superados por um software automático usado por revendedores de produtos com alta demanda.

Neste ano, estes softwares automáticos, conhecidos como “bots”, também miraram produtos como papel higênico e desinfetantes. Na Inglaterra, eles conseguiram até ocupar lugares de compras online reservados para idosos em quarentena.

Os varejistas estão tentando novas táticas contra a prática conhecida como “scalper bot” (“robô cambista”, em português), depois que as medidas de isolamento social impulsionaram a revenda de produtos online para um nível nunca antes alcançado, afirmaram especialistas em cibersegurança.

Algumas lojas prometeram melhorar medidas de segurança. Outras ampliaram a oferta ou ofereceram produtos apenas para clientes conhecidos.

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“Dado que a programação dos bots está constantemente evoluindo e sendo reescrita, desenvolvemos e atualizamos continuamente nossas próprias ferramentas de detecção de robôs que nos permitem bloquear com sucesso a maior parte deles”, disse um porta-voz do Walmart.

“As vendas online já estavam em nível recorde neste ano por causa da Covid e o lançamento de videogames de nova geração está criando volumes e padrões de consumo que nunca vimos antes.”

Não é para revenda

Scalper bots ganharam notoriedade primeiro na venda de ingressos para shows e lançamentos limitados de tênis cerca de uma década atrás.

Apesar da legislação dos Estados Unidos proibir a ação de cambistas de ingressos, não existe a mesma proteção para varejistas.

“É meio absurdo, mas ilegal? Não”, disse Edward Roberts, especialista em cibersegurança da empresa Imperva.

A Nike, um grande alvo de revendedores de produtos, criou formas criativas de enfrentar os robôs cambistas, dando a chance aos usuários de seu aplicativo de reservar tênis que querem para retirada em lojas da empresa.

Em 2018, a Nike chegou a oferecer o tênis Air Jordan 1 com a inscrição no solado “NÃO É PARA REVENDA”. O par do modelo agora é vendido por quase mil dólares no mercado online StockX.

No Walmart, a maior parte do “tráfego significativativo” maior de compras dos novos consoles de videogames foi gerado por bots, disse o porta-voz. Em 25 de novembro, o maior varejista do mundo bloqueou mais de 20 milhões de tentativas de compras feitas por bots nos primeiros 30 minutos de vendas do PS5.

A maior parte dos robôs cambistas de produtos fazem o recarregamento de páginas em intervalos de milisegundos para terem vantagem para adicionar itens a seus carrinhos de compra. Alguns são programados para se disfarçarem de centenas de diferentes clientes situados em diferentes localizações.

Algumas vezes, os cambistas derrubam o site de um varejista temporariamente, distraindo programas de segurança para permitir que os robôs de compra se infiltrem pelas brechas, disse Thomas Platt, diretor de comércio eletrônico da Netacea, companhia de segurança digital.

Estes robôs se tornaram tão populares que podem ser encontrados facilmente fazendo pesquisas por “Nike bot” ou “PS5 bot” em mecanismos de busca. É possível comprar acesso temporário a eles por entre 10 e 20 dólares.

O britânico CrepChiefNotify, serviço por assinatura que ensina os usuários a usarem robôs cambistas e os alerta sobre a disponibilidade de produtos de alta demanda, afirma que seus clientes compraram cerca de 6 mil consoles PS5 e Xbox.

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