Reino Unido socorre empresa dos EUA para evitar crise no abastecimento de alimentos

CF Industries interrompeu as operações em suas fábricas de fertilizantes no Reino Unido após o aumento dos preços do gás natural

Contratos futuros de gás natural no Reino Unido aumentaram quase quatro vezes desde abril
Contratos futuros de gás natural no Reino Unido aumentaram quase quatro vezes desde abril Unsplash/Simon Frederick

Hanna Ziadydo CNN Business

Londres

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O governo do Reino Unido concordou em subsidiar um grande fabricante de fertilizantes dos Estados Unidos a um custo de vários milhões de libras para os contribuintes, com o objetivo de reiniciar a produção de dióxido de carbono (CO2), vital para o abastecimento alimentar da Grã-Bretanha.

O governo anunciou a intervenção extraordinária em um comunicado na noite de terça-feira (21). O plano deve permitir que a CF Industries (CF), sediada em Illinois, reinicie uma de suas duas fábricas no Reino Unido e retome o fornecimento de CO2 para a indústria de alimentos e bebidas. A reinicialização segura da planta de amônia deve levar “vários dias”, disse a CF Industries em um comunicado.

A CF Industries decidiu na semana passada interromper as operações em suas fábricas de fertilizantes no Reino Unido porque o aumento dos preços do gás natural as tornou não lucrativas.

Esse anúncio gerou alertas sobre uma crise no abastecimento de alimentos porque suas fábricas também produzem cerca de 60% do dióxido de carbono de grau alimentício da Grã-Bretanha.

O gás é usado para atordoar animais para abate, bem como em embalagens para estender a vida útil de produtos frescos, resfriados e assados, e na produção de refrigerantes.

A British Meat Processors Association alertou na sexta-feira (17) que o choque na oferta pode causar escassez de alimentos em 14 dias, uma vez que os estoques atuais de gás CO2 acabem.

O governo do Reino Unido disse na terça-feira que fornecerá “apoio financeiro limitado” para os custos operacionais da CF Fertilizers por três semanas, após as quais os produtores de alimentos terão que pagar mais pelo CO2 para refletir os preços globais mais elevados do gás natural.

Os contratos futuros de gás natural no Reino Unido aumentaram quase quatro vezes desde abril, de acordo com dados da Intercontinental Exchange. Os preços do gás também estão subindo acentuadamente em outras partes da Europa, devido ao esgotamento dos estoques, à competição com a Ásia por gás natural liquefeito e ao baixo fornecimento da Rússia.

‘Fragilidade’ do abastecimento alimentar

O acordo com a CF Industries custará aos contribuintes do Reino Unido “muitos milhões de libras”, de acordo com o secretário do meio ambiente George Eustice.

Sem a intervenção do governo, haveria risco para a cadeia de abastecimento alimentar da Grã-Bretanha, disse Eustice à BBC na quarta-feira (22).

Ele disse acreditar que o aumento do custo do CO2 dificilmente levará ao aumento dos preços dos alimentos, que já estão subindo devido ao aumento da inflação dos preços globais das commodities e à pressão sobre os salários associada à escassez de trabalhadores.

A National Pig Association (NPA) disse na semana passada que seus membros estavam enfrentando sua maior crise em duas décadas como resultado da escassez de mão de obra ligada ao Brexit e à pandemia.

A escassez de motoristas de caminhão e funcionários do matadouro fez com que as fazendas de suínos fiquem sem espaço para abrigar seus rebanhos, e elas estavam a duas semanas de começar a abater animais, disse a executiva-chefe da associação, Zoe Davies, à ITV News na segunda-feira.

“Muitos trabalhadores da UE [União Europeia] voltaram para casa devido a uma combinação das novas restrições do Brexit e da Covid e é improvável que retornem”, disse o NPA em um comunicado na semana passada.

As fábricas de processamento de carne dizem que os esforços para recrutar mão de obra no mercado interno têm sido insuficientes para preencher “milhares de vagas em seus locais”, de acordo com o NPA.

A iminente escassez de CO2 “destacou fortemente a fragilidade na cadeia de abastecimento [de alimentos]”, disse a presidente do Sindicato Nacional dos Fazendeiros, Minette Batters, em um comunicado na terça-feira.

“Os usuários de dióxido de carbono receberam pouco ou nenhum aviso de que os suprimentos seriam cortados – uma indicação de falha de mercado em um setor que apoia nossa infraestrutura nacional crítica”, acrescentou ela.

O presidente da CF Industries, Tony Will, disse que a empresa trabalhará com o governo do Reino Unido para desenvolver uma “solução de longo prazo” para o fornecimento restrito de CO2.

(Texto traduzido. Clique aqui para ler o original em inglês).

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