Relator da privatização dos Correios diz que não tem pressa

O relator afirma que quer ouvir mais os funcionários da empresa e as áreas técnicas do governo antes de entregar seu parecer

Movimento no Centro de Tratamento de Encomendas dos Correios, em Benfica
Movimento no Centro de Tratamento de Encomendas dos Correios, em Benfica Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil (18.set.2019)

Basília Rodriguesda CNN

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Relator da proposta que abre caminho para a privatização dos Correios, o deputado Gil Cutrim afirmou à CNN que não tem pressa em apresentar o relatório, embora a Câmara tenha aprovado um requerimento de urgência da tramitação do texto nesta semana.

Na prática, o texto vai tramitar mais rapidamente do que outros, mas o relator afirma que quer ouvir mais os funcionários da empresa e as áreas técnicas do governo antes de entregar seu parecer.

“A gente não pode deixar quase 100 mil funcionários desamparados, ainda mais na pandemia. A gente não está com pressa para apresentar (o relatório). Não vamos fazer nada de forma açodada, de forma que machuque a história dos Correios”, afirmou.

O projeto foi entregue pessoalmente pelo presidente Jair Bolsonaro ao presidente da Câmara, Arthur Lira, no dia 24 de fevereiro. Se a proposta for aprovada, o governo poderá fechar parcerias com a iniciativa privada, em especial, pela via da privatização, no serviço postal.

O parlamentar acaba de ser expulso do PDT e se filiou ao Republicanos, partido do centrão. Cutrim apoiou a votação da Reforma da Previdência, contrariando seu antigo partido. Ele afirma ser sensível a causas trabalhistas mas precisava de mais autonomia na legenda. Para o parlamentar, a possível privatização dos Correios pode ser vista como uma reforma também.

“Se buscar a fundo, é uma pauta paralela à reforma administrativa. Se correr para o sentido da desestatização, ela deixará o governo com fôlego”, afirma sobre a possibilidade dos funcionários não serem mais uma responsabilidade do poder público.

Dois lados

Para o vice-presidente da Associação dos Profissionais dos Correios (Adcap), Marcos Cesar Alves Silva, há informações desencontradas sobre a real saúde financeira da estatal. A entidade foi uma das que já conversaram com o relator.

“A empresa está caminhando para registrar um dos maiores lucros, em plena pandemia. Virá um resultado favorável pelo comércio eletrônico, a receita com cartas não pode ser descartada também porque corresponde a 40% do orçamento da empresa”, diz.

Em maio, a empresa apresentará o balanço mais recente das contas.

“O governo precisava anunciar alguma privatização mas, ao meu ver, escolheu a estatal errada. Os Correios brasileiros são um exemplo de sucesso, ele é autossustentável, consegue fazer o serviço no país todo, com tarifa módica, sem depender de um centavo do Tesouro”, complementa.

Já o governo afirma que há incerteza quanto à autossuficiência da empresa e capacidade de investimentos futuros. De acordo com o ministro das Comunicações, Fábio Faria, os Correios precisariam de investimentos na ordem dos R$ 2,5 bilhões por ano para melhorar os serviços à população.

Outro texto

Na próxima semana, a Comissão de Desenvolvimento Indústria Comércio e Serviço, da Câmara, deve discutir outro projeto de lei que interfere na estatal, é o que quebra o monopólio dos Correios no transporte e entrega de cartas. O texto é de autoria do deputado federal Eduardo Bolsonaro.

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