Rendimento de até 1% ao mês: saiba se flats como renda extra mensal valem a pena

Investimento inicial é relativamente menor ante imóvel tradicional, mas concentrar valor alto em um único ativo é risco a ser avaliado, dizem especialistas

Imóveis em São Paulo: aluguel para 0,4% do valor do imóvel, enquanto o CDI remunera 0,16% 
Imóveis em São Paulo: aluguel para 0,4% do valor do imóvel, enquanto o CDI remunera 0,16%  Foto: Unsplash/Lucas Marcomini

Vinícius Silvacolaboração para o CNN Brasil Business

em São Paulo

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Enquanto o IFIX, índice de referência de fundos imobiliários na Bolsa, acumula queda de cerca de 10% neste ano, agentes do mercado levantam o investimento em flats como uma possibilidade que alia a tradição brasileira em comprar imóveis, com uma renda de até 1% ao mês.

Apesar de semelhantes, os flats possuem características diferentes de um imóvel tradicional. O giro dos inquilinos é maior, já que eles podem ficar dias ou poucos meses no local, e o investimento inicial é relativamente menor, podendo sair a partir de R$ 150 mil.

Além disso, os proprietários dos flats, que normalmente são um pouco maiores que um quarto de hotel e dispõe de facilidades oferecidas nesse tipo de empreendimento, podem optar por colocá-los em um pool de locação — em que a administração é feita por uma gestora especializada ou rede de hotel — ou por locação direta.

Para citar alguns exemplos recentes, a Só Flats, empresa especializada nesse tipo de ativo, oferece um flat em um prédio com a bandeira de um hotel em Joinville (SC) pelo valor de R$ 220 mil com renda média mensal de R$ 1.500, ou seja, 0,68% de rendimento ao mês.

Outro flat em um imóvel localizado em São Paulo promete uma rentabilidade de 0,7% ao mês, com investimento inicial de R$ 410 mil.

Em alguns casos, contudo, como o aluguel é variável e depende da demanda nos locais, ele pode chegar a 1% ao mês. Por isso, a procura por flats como investimento neste ano subiu cerca de 40% em relação ao ano passado, auge da crise causada pela Covid-19, segundo fontes do mercado de flats.

Valorização (ou não) do imóvel nos anos seguintes

Para Johnny Mendes, professor de economia da Faap, o interessado em adquirir um imóvel desse tipo para obter uma renda extra mensal e contínua pode analisar outros ativos, como produtos de renda fixa, que voltaram a ser atrativos com a alta da taxa básica de juros (Selic) ou mesmo os FIIs.

“O investidor do flat deve levar em consideração a valorização do imóvel nos próximos anos. Há riscos de o valor do imóvel não subir o suficiente para garantir um ganho da opção de renda fixa que você tem hoje. Se você consegue o mesmo rendimento de 1% ao mês, é para pensar com carinho nas opções de renda fixa”, disse.

Para Caio Castro, sócio da gestora RBR, apesar de o IFIX acumular uma forte queda no ano, os fundos imobiliários ainda levam vantagem em relação à tributação e à diversificação dos imóveis.

“Se você investir R$ 500 mil em um flat, você está concentrando todo o seu risco em um imóvel, um ativo, e se precisar de R$ 50 mil, você precisa vender o imóvel inteiro. Agora, se são R$ 500 mil aplicados em FIIs, você vende R$ 50 mil em cotas, só aquilo que você precisa”, afirmou.

“Outra diferença é a gestão do ativo. Se o inquilino sair, você tem que colocar para alugar e fazer as reformas necessárias. Além disso, há o benefício fiscal dos FIIs, que são isentos de IR, coisa que o recebimento do flat não tem”, disse.

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