Saiba quando serão as reuniões do Copom de 2022 e o que se espera para a Selic

Especialistas projetam taxa básica de juros para o próximo ano em dois dígitos

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Artur Nicocelido CNN Brasil Business*

São Paulo

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O Copom (Comitê de Política Monetária) realiza sua última reunião de 2021 nesta quarta-feira (8). O encontro tem o objetivo de definir a taxa básica de juros.

Em 2022, serão oito encontros ao todo, sendo que o primeiro acontecerá nos dias 1º e 2 de fevereiro. As reuniões começam com uma apresentação técnica sobre a evolução da economia brasileira e mundial, além do comportamento do mercado. Logo em seguida, os membros discutem quais devem ser as estratégias a serem tomadas diante do contexto macro-econômico.

Assim que são debatidas as estratégias, os oito membros do Copom votam por uma decisão, em que é preciso ter maioria simples. Caso dê empate, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, tem o voto de qualidade.

Os outros membros são: Bruno Serra Fernandes, Carolina de Assis Barros, Fabio Kanczuk, Fernanda Magalhães Rumenos Guardado, João Manoel Pinho de Mello, Maurício Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso e Paulo Sérgio Neves de Souza.

A ata das reuniões é sempre divulgada na terça-feira posterior à reunião.

Expectativas para 2022

Alguns especialistas acreditam que os principais temas que ficarão no radar do Copom em 2022 serão: a expectativa de inflação, que já bateu o limite do Banco Central, de 5%; a política monetária norte-americana, o Fed iniciou a retirada dos estímulos econômicos com a redução da compra de ativos, conhecido como tapering; e o cenário fiscal.

“Desde que foi anunciada a demissão dos secretários do Ministério da Economia e a admissão da PEC dos Precatórios, além das perspectivas de crescimento dos gastos em ano eleitoral, o risco fiscal do Brasil aumentou”, afirma Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.

“Além de ter mais dinheiro em circulação, o prêmio de risco exigido pelos investidores para entrar no mercado brasileiro também se elevou. Isso reflete na desvalorização cambial e, consequentemente, no aumento dos preços e em juros mais altos”, comentou.

Assim, por conta desses motivos, Alexandre Espirito Santo, economista-chefe da Órama Investimentos, acredita que o Copom avance até 11% na Selic, encerrando o atual ciclo de aperto monetário na 3ª reunião de 2022.

Mas o economista da Órama destaca que no próximo ano pode haver um cenário mais leve para a inflação, devido à  expectativa de uma safra que se espera robusta, ajudando nos preços dos alimentos, e pelo arrefecimento dos choques de preços de energia e combustíveis, que incomodaram ao longo de todo esse ano.

“Assim, nossa visão é de uma elevação de 1 p.p. na reunião de fevereiro, +0,5 p.p. em março, encerrando o ciclo com +0,25 p.p. no início de maio”, diz Espirito Santo.

Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos,  também projeta duas elevações no começo do próximo ano, chegando a 12,25% em março.

Já a XP acredita que ficará em 11,5%, no mesmo período. “Com a desaceleração da economia, entendemos que haverá espaço para corte de 0,5 p.p. ainda em 2022”, escrevem os comentaristas

No último Boletim Focus divulgado na segunda-feira (5), a expectativa da Taxa Selic finalizaria 2022 em 11,25%.

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