Sem auxilio emergencial, queda no varejo seria duas vezes maior

Levantamento feito pela federação paulista mostra que deve passar de R$ 151 bilhões a injeção de recursos no varejo entre abril e setembro

Thais Herédiada CNN

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O auxílio emergencial evitou o pior na economia do país. Esta conclusão já é unânime entre governo e setor privado. Passados os piores meses da pandemia, contas começam a ser refeitas para entender o tamanho do estrago causado pela paralisação da atividade. No caso do varejo, o ajuste nas previsões foi extremo, de uma queda de 13,8% para 6,7% de perdas, segundo a Fecomércio SP. 

Levantamento feito pela federação paulista mostra que deve passar de R$ 151 bilhões a injeção de recursos no varejo entre abril e setembro. O pagamento de R$ 600 a mais de 63 milhões de brasileiros melhorou a condição de consumo de muitas famílias, especialmente as mais pobres. Em alguns estados brasileiros, como o Pará, mais de 90% do orçamento vai para consumo de bens e produtos. 

“Da mesma forma que o auxílio emergencial foi muito significativo nestes primeiros meses da pandemia, quando ele acabar, vai fazer muita falta. O último trimestre do ano é o mais forte para o varejo.

A última parcela do benefício será em setembro e depois, se não tiverem emprego, as famílias vão passar o resto do ano sem esta renda”, disse Altamiro Carvalho, economista da Fecomércio SP e responsável pela pesquisa, ao CNN Business.

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Carvalho ressalta que o pagamento do 13º salário, que sempre ajudou nas compras de fim de ano, certamente será menor agora. Primeiro porque muitos trabalhadores do setor formal, que têm direito ao salário adicional, perderam a vaga. E para os aposentados, o 13º foi adiantado no primeiro semestre para acudir as famílias nos piores meses de confinamento. 

Para Fecomércio SP, o último trimestre não será positivo para o varejo por conta desses fatores. Para 2021, há muitas incertezas pela frente, mas a entidade conta com alguma recuperação já que a base de comparação será muito fraca com as perdas históricas deste ano. O destino das reformas e do ambiente político podem mexer com a confiança dos agentes econômicos. 

“Não esperamos uma recuperação rápida, a depender muito da recomposição da renda e da confiança. Emprego e renda são essenciais, determinantes. Nem mesmo o crédito poderá viabilizar uma retomada eficiente. Com desemprego em alta, aumenta a incerteza das pessoas, elas não consomem, não tomam crédito”, ressaltou Altamiro Carvalho. 

O economista da Federação considera ainda que a capacidade de retomada da economia depende das ações do governo federal, de como se dará o amparo ao setor privado na nova configuração do pós pandemia. A postergação de impostos, concessão de crédito com juros mais baixos e melhores condições pode ajudar muitas empresas a se manterem solventes.

“As empresas estão descapitalizadas, com braços engessados, com nível de liberdade de atuação muito limitado. Governo tem que encontrar uma forma de reduzir os custos operacionais das empresas e os impostos são os maiores”, disse Carvalho. 

O fechamento de empresas até o final do ano será de pelo menos o dobro do que aconteceu no biênio 2015/16. Naquela que havia sido a pior recessão do país em cem anos, 101 mil empresas fecharam as portas, sendo que 98 mil delas tinham até 19 funcionários, ou seja, eram de pequeno porte. Agora, a previsão da Fecomércio é de encerramento de 202 mil negócios em 2020. 

“Foi um efeito tsunami, primeiro derruba as barracas da praia, depois vai subindo e destruindo as estruturas mais resistentes. Muitos não conseguiram resistir a mais de 100 dias fechados. Foi um efeito devastador e rápido, uma interrupção de receita. O setor de vestuário foi o mais atingido, com perdas de mais de 80% das vendas”, disse o economista da Federação.

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