Small Caps ainda não subiram como o Ibovespa; saiba em quais investir em 2021

O CNN Brasil Business ouviu analistas para mapear empresas de pequeno e médio porte e listar as que podem ir bem neste ano

B3 vem avançando de forma desequilibrada nos últimos meses
B3 vem avançando de forma desequilibrada nos últimos meses Foto: Khunkorn Laowisit / Vecteezy

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O índice Ibovespa, que reúne as maiores empresas listadas na B3, não só devolveu todas as perdas de 2020 como alcançou recordes históricos no início de 2021. Ultrapassou os 125 mil pontos na primeira semana do ano e se descola cada vez mais do que se vê na economia real.  

Essa recuperação foi capitaneada, em grande medida, pelo setor de commodities, que pode estar vivendo um novo super ciclo. O segmento tem surfado no crescimento da procura por parte da China, que saiu da crise antes do Ocidente e tenta voltar a acelerar sua economia com investimentos públicos. 

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Isso vale para papéis como Petrobras (PETR3 e PETR4), CSN (CSNA3), Gerdau (GGBR3 e GGBR4) e Vale (VALE3), que dispararam. Os bancões, como Itaú Unibanco (ITUB3 e ITUB4), Santander (SANB11), Banco do Brasil (BBAS3) e Bradesco (BBDC3 e BBDC4), também recuperaram o fôlego com a volta do investidor estrangeiro, que tinha fugido do risco em 2020. (Para se ter uma ideia, somente essas empresas já correspondem a mais de 40% de todo o Ibovespa.)

“O avanço da bolsa no final de 2020 se deve ao boom das commodities”, diz Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos. “O retorno do investidor estrangeiro também ajudou. Eles vieram à procura de grandes ativos e compraram papéis dos grandes bancos, que estavam descontados.”

Ou seja, é certo dizer que essa recuperação do mercado tem sido desigual e nada indica, pelo menos no curto prazo, que essa tendência vai mudar. O fundo de índice de small caps da B3 (SMLL), por exemplo, fechou o ano de 2020 negativo em 0,6% e já deve outros 1,5% em 2021. Veja na tabela:

Mas isso não quer dizer que, dadas as circunstâncias corretas, uma empresa de menor porte não possa crescer. Pelo contrário, aumenta cada vez mais a procura pela próxima Locaweb (LWSA3), PetroRio (PRIO3) ou Taurus (TASA4), empresas de menor porte que avançaram três dígitos no último ano.

“As small caps são mais pulverizadas que o Ibovespa, representam mais setores. Muito por isso não fizeram movimentos de alta tão claros”, diz Rafael Panonko, estrategista-chefe da Toro Investimentos. “Mas precisamos continuar analisando setores e pensando no longo prazo.”

Nessa linha, o CNN Brasil Business ouviu analistas para mapear empresas de pequeno e médio porte e listar as que podem ir bem neste ano. Confira:

Petz

Este foi um grande case de sucesso da bolsa em 2020, vindo de um setor ainda sem players de capital aberto e com captação superior a R$ 3 bilhões. Atualmente, a Petz (PETZ3) tem 110 lojas, a maioria delas em São Paulo. O mercado comprou a tese e está de olho no plano de expansão da marca, que deve apostar em outras regiões para avançar.

“Trata-se de um mercado excepcional, que vem apresentando crescimento forte e duradouro, mas ainda pequeno no Brasil. A marca é líder isolada num setor bastante fragmentado e ainda está colocando um pé no digital, com uma boa execução”, diz Panonko, da Toro.

Méliuz

Faz parte de um grupo de empresas menores, que há alguns anos atrás não seriam material de bolsa de valores, um sinal claro de evolução do mercado. Além disso, empresas populares e conhecidas do investidor de varejo tendem a ganhar mais atenção de quem está começando na bolsa.

“Deve beneficiar-se do boom do e-commerce num segundo momento”, diz Esteter, da Guide. “A partir do momento que as pessoas se sentirem mais confortáveis em comprar online e entenderem que existem oportunidades para baratear isso, seja via voucher ou cashback, a tendência é que o negócio da Méliuz (CASH3) cresça.”

Dimed

Companhia com sub holdings de distribuição de medicamentos, laboratório de patologia e, a menina dos olhos, a rede de farmácias Panvel. Conta atualmente com 450 lojas no Brasil, principalmente no Rio Grande do Sul, e está começando a fazer movimento em direção ao sudeste. 

“As pessoas quando vão a uma farmácia no Sul dizem que vão à Panvel. É uma marca muito forte”, diz Fernando Barbará, head de renda variável do Andbank Brasil, sobre a Dimed (PNVL3). “Além disso, a Kinea Investimentos comprou 10% do negócio e está bem ativa na companhia, que era comandada por três famílias.”

Movida

A Movida (MOVI3) divulgou no domingo (10) prévias operacionais referentes ao quarto trimestre de 2020. Nos serviços de locação de veículos (RAC) e gestão e terceirização de frota (GTF), a receita líquida do período ficou em R$ 500,8 milhões, avanço de 9,6% em relação aos três últimos meses de 2019. Ou seja, a companhia conseguiu superar os patamares pré-pandemia de Covid-19 neste segmento.

“Não é só a retomada da economia que ajuda, trata-se de uma companhia com boas margens”, diz Panonko. “A tendência é que o business de automóveis por assinatura tenha maior adesão e mude o comportamento habitual do brasileiro de querer ser dono de um carro.”

Santos Brasil

Uma das líderes na operação de contêineres e logística no Porto de Santos (a segunda maior ali), mas presente também em outros ancoradouros, como Vila do Conde, no Pará, e Ibituba, em Santa Catarina. Pode se beneficiar muito com uma possível apreciação do real no médio prazo.

“É impossível o Brasil crescer sem que o volume de negócios aumente no Porto de Santos. E a Santos Brasil (STBP3) está muito bem posicionada ali”, diz Barbará, do Andbank. “A empresa tem ainda um pátio muito moderno, com tecnologia de ponta, e oferece um serviço completo: armazenagem, logística, movimentação de cargas etc.”

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