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    Startup de picape elétrica recupera fábrica da GM e é aposta para região de Ohio

    Lordstown Motors revelou a Endurance, uma picape de US$ 52.500 projetada para frotas comerciais

    Vice-presidente Mike Pence discursa durante o lançamento do Endurance
    Vice-presidente Mike Pence discursa durante o lançamento do Endurance Foto: Divulgação

    Matt McFarland,

    do CNN Business,

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    Uma pequena startup automotiva de Ohio está chamando a atenção do país por conta da sua nova picape elétrica. Se o veículo, o primeiro e único produto da Lordstown Motors, for mesmo um sucesso, ele poderá restaurar o mercado automotivo e ajudar a recuperar uma cidade debilitada do Cinturão da Ferrugem. Mas há dúvidas sobre se ele pode cumprir seus objetivos.

    Na quinta-feira, a Lordstown Motors revelou a Endurance, uma picape de US$ 52.500 projetada para frotas comerciais. Em um evento com celebridades de Ohio e políticos nacionais, o vice-presidente Mike Pence andou no banco do passageiro da Endurance enquanto o veículo andava pelo palco. O secretário de Energia dos EUA, Dan Brouillette, falou no evento e um dirigível da Goodyear sobrevoou a fábrica.

    “É um grande dia para a Lordstown”, disse o prefeito Arno Hill à CNN Business. “Estamos bem animados. Podemos ter alguns anos difíceis, mas vamos ficar bem.”

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    Fundada em 2019, a Lordstown Motors atraiu grande atenção aparentemente do nada. Tem um longo caminho a percorrer para provar que está a altura da expectativa que se criou em torno dela e competir com montadoras como a Tesla, atualmente uma gigante perto dela.

    Para a vila de Lordstown, hoje está muito longe de março de 2019, quando a GM fechou a fábrica que havia sido inaugurada em 1966 e que, no seu auge, contava com 12.000 funcionários.

    Hill estimou que 60% da receita tributária da Lordstown foram perdidos devido ao seu fechamento.

    Em novembro de 2019, a GM vendeu a fábrica para a Lordstown Motors, uma startup criada a partir de uma cisão da Workhorse, uma empresa que está desenvolvendo vans elétricas de entrega e tinha seu próprio projeto de picapes em andamento. O CEO da Workhorse, Steve Burns, deixou a empresa para iniciar a Lordstown Motors, e os clientes que haviam encomendado uma picape com a Workhorse tiveram a opção de transferir seus pedidos para a Lordstown Motors.

    Uma porta-voz da Lordstown Motors disse que a Endurance é um veículo totalmente novo que foi construído a partir do zero.

    Hoje, a startup conta com um pouco mais de 100 funcionários e 150 prestadores de serviços, segundo Burns. Em 2016, a GM empregou mais de 3.000 trabalhadores horistas na fábrica da Lordstown. Antes de seu fechamento no ano passado, esse número havia despencado para 1.400.

    A Lordstown está tentando captar US$ 450 milhões, o que, segundo Burns, é suficiente para iniciar a produção da Endurance a um índice de lucro. Ele não revelou quanto a empresa captou até o momento. A Lordstown Motors recebeu um empréstimo de US$ 40 milhões da GM, de acordo com registros públicos do condado de Trumbull.

    A startup se une a um grupo cada vez maior de empresas que tenta tornar as picapes elétricas, que são os veículos mais vendidos nos EUA.

    A Ford e a GM estão desenvolvendo picapes elétricas. A Tesla revelou seu Cybertruck no ano passado. A Rivian, uma startup de veículos elétricos que já captou quase US$ 3 bilhões, está com sua própria picape em andamento.

    Burns disse que acha que a Endurance pode se destacar por ser primeira no mercado com uma picape em tamanho real, projetada especificamente para frotas comerciais. Disse também que as entregas começarão em 2021, se a empresa conseguir financiamento.

    A Endurance tem um estilo mais conservador em relação à Cybertruck, da californiana Tesla, o que Burns espera que atraia os compradores de frotas.

    Tanto Burns quanto Pence falaram na quinta-feira sobre um futuro em que Ohio poderá liderar o país em veículos elétricos.

    “O nome desta pequena cidade estará em caminhões em todo o país”, disse Burns. “Pensamos: ‘Por que só a Califórnia poderia se divertir? Acreditamos que nosso pessoal pode fazer a mesma coisa ou até melhor.'”

    Pence, que passou mais tempo falando no lançamento do que Burns, chamou a quinta-feira de “um novo dia de liderança em veículos elétricos nos Estados Unidos”.

    A caminhonete é alimentada por quatro motores localizados nas rodas. Motores nas rodas, conhecidos como “motores de cubo”, são comuns em bicicletas e scooters elétricas, mas não em carros maiores e caminhões. Muitas empresas exibem veículos-conceito com motores nas rodas, mas a Lordstown Motors quer ser a primeira a de fato colocar um deles no mercado.

    “A sabedoria popular diz que isso não dá para ser feito porque ainda não foi feito”, disse Burns. “O resultado final, ao contrário da sabedoria popular, é uma caminhonete que pode ser dirigida como um carro esportivo”.

    Sam Abuelsamid, analista de mobilidade elétrica da Guidehouse, uma empresa de consultoria, disse que não existem veículos com motores de cubo convencionais porque as montadoras acreditam que os pontos negativos superam os positivos.

    “Não vai ser como dirigir um carro esportivo”, disse Abuelsamid, acrescentando que a Endurance ficaria bem em superfícies lisas, mas que os motoristas sentiriam buracos mais do que em um veículo com rodas tradicionais.

    Outra desvantagem dos motores de cubo é que eles tendem a se desgastar mais rapidamente do que os motores montados dentro do carro. As rodas tendem a levar solavancos e entrar em choque mais do que qualquer outra peça de um carro, tornando a colocação do motor nas rodas pouco atraente para muitos fabricantes, disse Abuelsamid.

    Uma vantagem dos motores de cubo é que eles liberam mais espaço no veículo para outros usos.

    A Lordstown Motors também terá de provar que pode lançar a produção de um veículo com um orçamento menor do que os custos de desenvolvimento regulares da indústria automobilística, que podem chegar a US$ 1 bilhão para um único veículo. A GM, por exemplo, investiu US$ 200 milhões em 2015 apenas para pagar por novas ferramentas e equipamentos em fábricas que produzem o Chevrolet Bolt elétrico.

    Burns disse que a Lordstown Motors economizará em custos ao reformar os equipamentos da GM deixados na fábrica desde a fabricação do Chevrolet Cruze.

    “Tem sido excelente, tudo está funcionando”, disse Burns. “Estamos super satisfeitos com a funcionalidade da fábrica”.

    A Lordstown Motors também se beneficiou da tecnologia compartilhada da Workhorse, segundo Burns. A Workhorse detém 10% da Lordstown Motors, disse ele.

    A GM tem a opção de recomprar a fábrica da Lordstown Motors até agosto, de acordo com registros públicos do condado de Trumbull. Um porta-voz da GM disse que a empresa não se valerá da cláusula de recompra se a Lordstown Motors captar o suficiente para iniciar a produção, já que a startup seria então capaz de quitar seu financiamento.

    “Não é o intuito da GM recomprar essa fábrica”, disse Burns. “Há alguns termos legais que a posicionam nesse sentido, mas essa não é a intenção de ninguém.” 

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