Vendas no comércio sobem 1,4% em maio, segundo mês consecutivo de alta

Com esse resultado, o mercado já se encontra 3,9% acima do patamar pré-pandemia

Pessoas caminham por rua de comércio popular em São Paulo - 15/07/2020
Pessoas caminham por rua de comércio popular em São Paulo - 15/07/2020 Foto: Amanda Perobelli/Reuters

Thâmara Kaoru,

do CNN Brasil Business, em São Paulo

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As vendas no comércio varejista subiram 1,4% em maio na comparação com o mês anterior, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quarta-feira (7). O resultado de maio é o segundo crescimento consecutivo do varejo, que se encontra 3,9% acima do patamar pré-pandemia.

O setor acumula ganho de 6,8% no ano e de 5,4% nos últimos 12 meses. Os dados são da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC).

O aumento nas vendas foi acompanhado por sete das oito atividades investigadas pela pesquisa, informou o IBGE.

A maior variação foi em tecidos, vestuário e calçados (16,8%), seguida por combustíveis e lubrificantes (6,9%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (6,7%).

A atividade de tecidos, vestuário e calçados, que teve a maior variação, já havia crescido 6,2%, mas ainda está muito abaixo do que estava antes da pandemia. Além disso, esse setor sofreu outra queda em março deste ano. Então, é uma recuperação, mas em cima de uma base de comparação muito baixa

Cristiano Santos, gerente da pesquisa

 

Livros, jornais, revistas e papelaria (1,4%), equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (3,3%), hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1%) e móveis e eletrodomésticos (0,6%) foram as outras atividades que tiveram aumento das vendas em maio.

A única atividade a ter queda no volume de vendas foi a de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-1,4%).

No comércio varejista ampliado, que inclui, além do varejo, as atividades de veículos, motos, partes e peças (1%) e material de construção (5%), as vendas cresceram 3,8% na passagem de abril para maio. Também é o segundo mês consecutivo de alta.

“Esse aumento foi puxado principalmente pelo setor de veículos, que tem uma base de comparação muito baixa e também não está nos patamares pré-pandemia, mas desde abril vem se recuperando. Material de construção também cresceu pelo segundo mês consecutivo”, diz o pesquisador.

Varejo cresce 16% frente a maio de 2020

Quando comparadas a maio do ano passado, as vendas no varejo aumentaram 16%. Pelo terceiro mês consecutivo, houve alta nesse indicador. O resultado positivo atingiu sete das oito atividades investigadas, com destaque para os setores de tecidos, vestuário e calçados (165,2%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (59,8%) e livros, jornais, revistas e papelaria (59,4%).

“Em relação a esse indicador, precisamos lembrar que a base de comparação era muito baixa. Era o recorde inferior da série histórica da pesquisa. Então, podemos observar números bastante elevados, sobretudo no setor de tecidos, por causa da queda, especialmente, no período de março, abril e maio de 2020. Ela reflete essa base muito baixa, assim como acontece com outros setores”, diz Santos.

O comércio varejista ampliado também registrou o terceiro aumento consecutivo na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Em maio, o aumento foi de 26,2%, impactado, principalmente, pelas altas de veículos, motos, partes e peças (71,9%) e material de construção (25,7%).

26 unidades da federação têm crescimento nas vendas

Na passagem de abril para maio, o comércio varejista cresceu em 26 das 27 unidades da federação. Entre os destaques estão Amapá (23,3%), Ceará (9,4%) e Minas Gerais (9,2%). Já Goiás (-0,3%) foi o único a ter retração no volume de vendas do varejo.

No comércio varejista ampliado, 24 unidades da federação que tiveram aumento no volume de vendas, destacaram-se Amapá (21,6%), Minas Gerais (8,6%) e Distrito Federal (6,9%).

IBGE revisa resultado de abril de 1,8% para 4,9%

O resultado de abril, divulgado no mês passado como 1,8%, foi revisado pelo IBGE para 4,9% neste mês. Segundo o instituto, o ajuste decorre da aplicação do algoritmo de dessazonalização, que busca calibrar os efeitos sazonais no volume de compras no comércio, como festas de Natal e Páscoa, por exemplo.

“Com a pandemia, há um novo cenário no comércio, com diferenças marcantes. O carnaval, por exemplo, não ocorreu neste ano. Com isso, há ajustes recorrentes que são feitos, baseados nas informações que chegaram por último, que foram inseridas naquele mês”, diz Santos.

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