XP vê potencial de alta menor para Ibovespa em 2020 após recuperação recente

Após encostar nos 120 mil pontos em janeiro, o índice afundou em março por causa da Covid-19, chegando a 61.690,53 pontos no pior momento

Homem observa painel da B3, em São Paulo, após pregão ser interrompido por circuit braker (16.mar.2020)
Homem observa painel da B3, em São Paulo, após pregão ser interrompido por circuit braker (16.mar.2020) Foto: Rahel Patrasso

Da Reuters

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O Ibovespa ainda tem espaço para alta, principalmente em relação a outras opções de investimentos, dado o cenário de juros baixos no país, embora tende a ser menor após a forte recuperação desde as mínimas do ano, avalia o estrategista-chefe da XP Investimentos, Fernando Ferreira.

“Em relação à renda fixa, ainda há um potencial bastante interessante de valorização. Mas do movimento total de recuperação, desde os 60 mil pontos, sem dúvida, boa parte já aconteceu”, afirmou Ferreira à Reuters na quarta-feira, quando o Ibovespa quase bateu os 100 mil pontos.

Após encostar nos 120 mil pontos em janeiro, o índice afundou em março por causa da Covid-19, chegando a 61.690,53 pontos no pior momento. Desde então, já subiu mais de 60%, apoiado na forte liquidez nos mercados, resultado de medidas de combate aos efeitos econômicos da pandemia, bem como sinais de rápida retomada principalmente da China e dos Estados Unidos.

“Isso fez com que a gente chegasse até aqui mais rápido do que se esperava”, afirmou, citando ainda o arrefecimento das tensões políticas no Brasil como componente para a reação.

Ele ponderou que o país ainda não saiu das crises de saúde, econômica e política, e que a temporada de resultados de empresas do segundo trimestre deve mostrar números ruins, mas que os ativos estavam tão depreciados que a melhora mesmo marginal no cenário bastou para a recuperação.

Apesar da alta recente, o Ibovespa ainda acumula queda de 14% no ano, desvalorização que sobe a 35% em dólar.

Para Ferreira, o prognóstico de o Brasil sair da crise com juros ainda menores do que entrou trará tanto mais atratividade a investimentos na economia real como mais migração da renda fixa para variável. “Não só de pessoas físicas, mas de fundos multimercado e fundos de pensão que ainda estão muito subalocados em bolsa”, afirmou.

Ferreira e equipe revisaram no começo do mês passado sua projeção para o Ibovespa para o final do ano de 94 mil para 112 mil pontos. Ele não descarta eventuais ajustes na expectativa no curtíssimo prazo, mas sinalizou que deve esperar a safra de resultados do segundo trimestre.

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Para o estrategista, o principal risco para o cenário de recuperação das ações no país seria uma nova onda de casos de Covid-19 no mundo que traga um grande impacto econômico, com a volta das restrições de movimentação de pessoas.

Nos EUA, apesar do aumento de casos, ele observa que isso não está acompanhado de crescimento nas hospitalizações e mortes, “que é o que o mercado está prestando atenção, pois levaria a novo fechamento de fronteiras, da atividade econômica, fazendo o mercado sofrer”. Além disso, o protocolo médico melhorou muito nos últimos três meses.

Upside

Em meio à reação do Ibovespa, com algumas ações já tendo revertido as perdas no ano, Ferreira afirma que os ‘upsides’ estão em papéis de empresas de qualidade, bem geridas e com bons fundamentos, mas que não vê um movimento como o visto até agora.

“Foi um rali muito focado nas vencedoras desse novo mundo pós-pandemia”, avalia, destacando ações de ecommerce e tecnologia, entre elas B2W, que acumula alta de mais de 80% no ano, Magazine Luiza, que sobe cerca de 60%, e Via Varejo, com elevação em torno de 45%.

Em linha com a visão no mercado, ele acrescenta que tem olhado para papéis de companhias que se beneficiam da abertura, como Lojas Americanas, Localiza, Iguatemi, Vivara e Eztec, presentes na carteira recomendada da XP para o mês.

“Todas empresas sólidas, bem geridas, com bons fundamentos, mas cujos papéis ficaram um pouco para trás em relação a outros setores, porque foram muito impactadas na quarentena”, explicou.

Nesse grupo, com exceção de Lojas Americanas, que sobe 24% no ano, em boa parte ajudada pelo salto de sua controlada B2W, Localiza recua quase 6%, Iguatemi perde 32%, Vivara cede 23% e Eztec cai 18%.

Segundo Ferreira, ações que caíram muito não necessariamente estão com preço atrativo. Alguns papéis podem ter potencial de valorização e se recuperarem se a situação normalizar, disse, mas é preciso entender o motivo para a queda.

Ele citou o caso das companhias aéreas. Azul acumula perda de cerca de 60% e Gol recua mais de 45% em 2020. Há uma preocupação de longo prazo sobre qual será a destruição de demanda estrutural no setor pós-pandemia, avaliou, dada a mudança de hábito.

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