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    BC deve manter corte gradual dos juros até o fim do ano, diz economista-chefe da XP à CNN

    Para Caio Megale, a ata da reunião do Copom deve trazer perspectivas mais claras sobre o futuro da política monetária

    Iasmin Paivada CNN*

    São Paulo

    O economista-chefe da XP, Caio Megale, afirmou nesta quinta-feira (3) à CNN que o Banco Central (BC) deve manter a política de afrouxamento monetário até o final do ano, com cortes graduais da taxa básica de juros nas próximas três reuniões até dezembro.

    Conforme os cálculos do economista, o BC “ainda pode cortar a taxa Selic em três ou quatro pontos percentuais ao longo dos próximos meses, de forma gradual”.

    Na quarta-feira (2) o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BC) decidiu, pela primeira vez em três anos, cortar a taxa básica de juros do país, a Selic, em 0,5 ponto percentual. Com isso, a taxa passa de 13,75% para 13,25% ao ano.

    Em nota, o BC afirmou que, dos nove membros do Comitê, cinco votaram pelo corte de 0,50 ponto percentual, incluindo o presidente da instituição, Roberto Campos Neto. O comunicado volta a falar em “serenidade” em relação à política monetária.

    Nessa perspectiva, o corte de 0,5 ponto vai ao encontro com as expectativas de “cortes graduais” previstos pela XP, avalia Megale.

    “O início [do ciclo de cortes], sendo de 0,25 ou 0,5 ponto porcentual, os dois cabiam bem na postura gradual. Ainda dá para cortar seis ou sete vezes em 0,5, como sinalizado, isso estaria dentro desse escopo técnico”.

    Avanços de longo prazo

    Para Megale, a ata do Copom deve trazer perspectivas mais claras sobre o futuro da política monetária do BC. 

    Mas enquanto isso, o especialista pontua que os temas envolvendo a política fiscal sempre vão ser importantes para essa discussão, e espera que esse assunto esteja mais detalhado na ata. 

    “Temas fiscais sempre vão ser importantes pra inflação, o Brasil ainda tem uma dívida pública elevada e há uma expectativa de um arcabouço que possa equilibrar o orçamento”, pontua. 

    O especialista destaca, contudo, que esse futuro depende da aprovação do marco fiscal e dos efeitos que ele vai provocar na economia na prática. 

    Ainda há uma “incerteza em relação à capacidade dessas medidas gerarem receita”, explica.

    Acredito que isso deveria ainda ser uma incerteza, um ponto de dúvida pra frente daqui pra frente”, avalia Megale.  

    *Produzido por Vinícius Tadeu