Campos Neto diz que Brasil pode aprender com “erros” da Argentina

Presidente do BC ainda comentou sobre dolarizar a moeda argentina, mas, segundo ele, é um tema difícil de se iniciar

Campos Neto afirmou que o sistema na Argentina “é muito complexo” e que as pessoas “perderam confiança total na moeda”
Campos Neto afirmou que o sistema na Argentina “é muito complexo” e que as pessoas “perderam confiança total na moeda” WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO

Cristiane Nobertoda CNN

Brasília

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que o Brasil pode aprender com a “sequência de erros da Argentina”. Ao falar sobre a inflação no país, afirmou que o vizinho cometeu três principais erros: retirar a autonomia do BC, revisar a meta de inflação e ausência de ajuste fiscal.

“O Brasil pode aprender várias coisas com a Argentina, e a sequência de erros deles. A primeira foi desrespeitar a autonomia do Banco Central. Depois desrespeitar o sistema de metas e reajustar (a inflação) para cima. A terceira foi o ajuste fiscal foi muito lento que no final, não teve. Acabou com a percepção de falta de autonomia do BC e a falta de regramento monetário, gerou uma inflação em espiral”, disse nesta terça-feira (15) em reunião na Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE).

Campos Neto também afirmou que o sistema na Argentina “é muito complexo” e que as pessoas “perderam confiança total na moeda”. Ele defendeu ainda que a vitória do candidato de extrema-direita Javier Milei, que foi o mais votado no país, teve relação com a preocupação dele sobre a inflação.

“O candidato que acabou se saindo melhor é o que atendeu esse apelo das pessoas, foi o que disse ‘vamos cuidar da inflação’. Foi o candidato que batia de fato na questão da inflação. Alguns outros candidatos batiam mais de forma indireta. Mas, quando olhamos as pesquisas, o que as pessoas hoje não aguentam mais na Argentina é o tema da inflação que ta muito descontrolado”, afirmou.

O presidente do BC ainda comentou sobre dolarizar a moeda argentina. Mas, segundo ele, é um tema difícil de se iniciar.

“É você confiar que a moeda vai ser igual ao dólar. Para fazer isso, tem que ter dólar de reserva, se não, não consegue fazer esse processo. As reservas argentinas são negativas. São menos US$ 5 bilhões, tanto é que não conseguiram honrar o acordo com o FMI e tiveram que pedir dinheiro. É complicado de forma inicial, mas eu entendo e vejo que seguramente pode ser uma saída”, disse.

Veja também: Dólar dispara na Argentina após resultado das urnas