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    Cenário não aponta para recessão na zona do euro, diz Lagarde após BCE subir juros

    Presidente do BCE também afirmou que a inflação na zona do euro está "indesejavelmente alta" e deve permanecer acima da meta de 2% por "algum tempo"

    Taxa anual do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) do bloco da moeda comum atingiu nível recorde de 8,6%
    Taxa anual do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) do bloco da moeda comum atingiu nível recorde de 8,6% 25/05/2022. REUTERS/Arnd Wiegmann/File Photo

    Agência Estado

    André Marinho e Gabriel Caldeira, do Estadão Conteúdo

    A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, reforçou que a autoridade monetária não prevê uma recessão na zona do euro este ano ou no próximo em seu cenário-base, apesar da persistência da guerra na Ucrânia e o aperto nas condições para conter a inflação.

    Durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira (21) após decisão de subir juros em 50 pontos-base, Lagarde ponderou que a atividade econômica está desacelerando diante do conflito, e que seu prolongamento é um “risco significativo” à economia região — sobretudo se houver racionamento de energia em meio à redução do fornecimento de gás da Rússia. 

    A autoridade monetária disse que seguirá atenta aos desdobramentos da questão energética.

    “A guerra também pode pressionar a confiança e agravar gargalos de oferta, ao mesmo tempo em que os custos de energia e alimentos podem ficar persistentemente mais altos do que o esperado”, disse ela, que chamou atenção para possibilidade de enfraquecimento do crescimento global.

    A dirigente acrescentou que o BCE prefere não usar o Instrumento de Proteção de Transmissão (TPI, na sigla em inglês), mas que não hesitará em mobilizá-lo caso necessário. O programa foi criado para conter as disparidades no custo de empréstimos entre os países do bloco da moeda comum.

    Lagarde admitiu que, no momento, não sabe qual é o nível da taxa neutra de juros, ou seja, aquela que não estimula nem comprime a economia.

    “Forward guidance”

    Christine Lagarde também afirmou que o “forward guidance” estabelecido anteriormente para a reunião de setembro não é mais válido e que a decisão dependerá dos próximos indicadores macroeconômicos.

    Dirigentes do BCE vinham sinalizado que a autoridade monetária subiria juros em 25 pontos-base no encontro de hoje e, depois, poderia intensificar o ritmo de aperto. No entanto, a instituição optou por um ajuste mais agressivo, de 50 pontos-base, já agora, diante da escalada da inflação na zona do euro.

    Na coletiva de imprensa, Lagarde ressaltou que os riscos às perspectivas inflacionárias apontam para cima, especialmente no curto prazo. Para ela, medidas fiscais temporárias e focalizadas devem apoiar o consumo diante de altos preços de energia.

    Inflação “indesejavelmente alta”

    A presidente do BCE também afirmou que a inflação na zona do euro está “indesejavelmente alta” e deve permanecer acima da meta de 2% por “algum tempo”.

    Em junho, a taxa anual do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) do bloco da moeda comum atingiu nível recorde de 8,6%.

    Lagarde explicou que a maior parte dos componentes do núcleo inflacionário subiu.

    Segundo ela, os preços globais de energia devem permanecer elevados no curto prazo, o que agrava o quadro geral.

    Persistentes gargalos na cadeia produtivo e o enfraquecimento do euro também foram citados como responsáveis pela tendência.

    “Mas olhando mais à frente, na ausência de novas rupturas, os custos de energia devem se estabilizar e os gargalos de oferta devem diminuir, o que, juntamente com a normalização da política em curso, deve apoiar o retorno da inflação à nossa meta”, assegurou.

    A dirigente acrescentou que o mercado de trabalho permanece forte e que, apesar de um aceleração gradual nos últimos meses, o crescimento dos salários segue “contido”.