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    CNI projeta PIB de 2,1% e Selic em 11,75% para 2023

    Apesar da expectativa de crescimento, entidade alerta para desaceleração do setor industrial, como efeito do patamar elevado da taxa de juros

    Entidade industrial, porém, não está otimista com seu próprio setor
    Entidade industrial, porém, não está otimista com seu próprio setor REUTERS/Stringer

    Elis Barretoda CNN

    Brasília

    A Confederação Nacional da Indústria (CNI) projeta que o crescimento econômico do Brasil será de 2,1% em 2023, em relação ao ano passado. Os dados são do Informe Conjuntural do 2º trimestre de 2023, e foi divulgado nesta quinta-feira (13).

    A projeção da CNI para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil é mais otimista que a expectativa mais recente feita pelo ministério da Fazenda, em que o PIB deve crescer 1,9% em 2023.

    Já o Banco Central (BC), segundo o Relatório Trimestral de Inflação, projeta que o crescimento econômico neste ano será de 2%.

    Segundo a Confederação, a alta no PIB deste ano será puxada pelo agronegócio, que deve crescer 13,2%. Entretanto, o país também deve registrar desaceleração no PIB da indústria, que deve crescer apenas 0,6% neste ano, frente a alta de 1,6% em 2022.

    De acordo com o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, o setor industrial enfrenta os efeitos dos juros altos, com restrição no crédito bancário, o que, segundo ele, penalizar tanto empresários quanto consumidores.

    “Além disso, o setor de serviços, que acumulou avanços expressivos desde 2020, também agora se encontra em movimento de desaceleração”, completa Azevedo.

    Além do PIB, a CNI também projetou a evolução da taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic.

    Segundo a entidade, os juros devem encerrar o ano em 11,75%, representando assim uma queda de 2 pontos percentuais em relação ao atual patamar da Selic, em 13,75%.

    Na mesma direção que a Selic, a inflação também deve desacelerar e encerrar o ano em 4,9%. Para a CNI, os grupos de alimentos e de produtos industriais são os que mais têm contribuído para a desaceleração da inflação.

    “Os alimentos estão em desaceleração desde dezembro de 2022, em função: da estabilização dos preços em reais das commodities agrícolas, embora ainda em patamares elevados; da menor pressão sobre os preços dos insumos agropecuários, por conta da redução dos impactos da guerra da Ucrânia; e da valorização da moeda nacional.”, aponta o Informe.

    A Confederação também previu retração no mercado de crédito, redução na taxa de desemprego, déficit primário e aumento da dívida bruta. Segundo o documento, o mercado de crédito terá retração de 3,6% em termos reais, explicada pelos juros elevados, aumento na inadimplência e endividamento de empresas e consumidores.

    A estimativa da CNI para a taxa de ocupação é de uma expansão de 2% no quarto trimestre de 2023 ante o quarto trimestre de 2022. Segundo a entidade, o crescimento das ocupações deve contribuir para o recuo de 1 ponto percentual na taxa de desemprego média de 2023 ante 2022, encerrando o ano com taxa de desemprego de 8,3%.

    Para as contas públicas, a CNI espera que o setor público consolidado – que engloba governos federal e regionais (estados e municípios) e suas estatais – encerre 2023 com déficit primário de 1,1% do PIB, contra superávit de 1,3% do PIB em 2022.

    A dívida pública deve voltar a crescer em 2023, chegando a 74,3% do PIB, ante a 72,9% no ano passado.