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    Copom deve cortar Selic em 0,25 ponto e manter queda gradual nos próximos meses, diz Loyola à CNN

    Economista e ex-presidente do BC acredita que incertezas com marco fiscal e reforma tributária podem fazer com que diretores da autoridade monetária adotem uma postura mais cautelosa no afrouxamento monetário

    Iasmin Paivada CNN*

    São Paulo

    O ex-presidente do Banco Central e sócio da Tendências Consultoria, Gustavo Loyola, afirmou nesta quarta-feira (2) à CNN que o Comitê de Política Monetária (Copom) deve realizar um corte de 0,25 ponto percentual da Selic nesta quarta-feira (2), iniciando um ciclo de afrouxamento monetário de forma gradual.

    Tanto o mercado quanto o governo esperam que o Copom promova um corte na taxa atual, de 13,75% ao ano. O Copom tem decidido pela manutenção da taxa básica de juros ao longo das últimas sete reuniões, desde agosto de 2022.

    O patamar de juros no país continua no maior nível desde dezembro de 2016. Na última decisão, o comunicado do Copom citou “paciência e serenidade” com a condução da política monetária por conta das pressões inflacionárias ainda persistentes.

    Para o especialista, a trajetória do Copom no curto prazo é de “cautela” devido a uma série de fatores da economia que ainda estão sem um desfecho claro.

    A maioria dos analistas espera 0,25, porque o BC deu inúmeras sinalizações de que prefere uma trajetória mais cautelosa, principalmente no início do ciclo”, ressalta. 

    Loyola destaca, principalmente, que as projeções de inflação ainda estão acima da meta, ainda que as expectativas para o índice de preços tenha caído. “A inflação de serviços ainda está relativamente alta e os sinais de queda ainda são recentes”, avalia.

    Além disso, incertezas no cenário macroeconômico interno e externo são outros elementos que corroboram com a tese de um afrouxamento gradual. A reforma tributária e o novo marco fiscal são os principais fatores que mercado e governo aguardam uma resolução.

    Ponto de equilíbrio

    Na opinião de Loyola, o Brasil deve alcançar uma taxa de juros de equilíbrio “talvez em meados do ano que vem”. 

    O economista explica que uma taxa de juros de equilíbrio é aquela em que garante uma inflação controlada e, ao mesmo tempo, permite o crescimento da economia. 

    O especialista destaca, contudo, que essa “não é uma taxa observável, mas estimada, não se sabe quanto ela é”. 

    Com isso, ele avalia que a taxa de juros real esteja em 8,5% e 9%, patamar que deve ser atingido no final do ano que vem, “talvez no quarto trimestre”.

    *Produzido por Geovanna Hora