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    Dólar supera R$ 5,15 e fecha no maior patamar em 7 meses; moeda vai subir mais?

    Movimento reflete temor global por novo aumento dos juros nos EUA

    Gabriel Bosada CNN

    São Paulo

    O dólar engatou nova alta nesta terça-feira (3) e fechou cotado a R$ 5,155, com valorização de 1,74%. Esse é o maior patamar ante a divisa brasileira desde 28 de março, quando o câmbio encerrou o dia negociado a R$ 5,165, segundo dados do Refinity.

    O movimento de alta da moeda norte-americana é observado desde o fim de setembro, quando o Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) manteve os juros em 5,25% e 5,5%, mas indicou que a taxa deve subir ainda neste ano para trazer a inflação de volta para a meta.

    O sentimento de cautela ganhou novo fôlego na semana passada em face do risco de paralisação do governo norte-americano, que foi revertido nas últimas horas de sábado (30).

    O mau humor voltou a ganhar força nesta manhã, após dados indicarem a criação de 9,61 milhões de postos de trabalho em agosto nos EUA, segundo o governo federal.

    O resultado veio acima das expectativas dos analistas e superou as 8,92 milhões de vagas novas em julho.

    Cristiane Quartaroli, economista do banco Ourinvest, pontua que os dados do mercado de trabalho indicam que a maior economia do globo segue em ritmo acelerado, reforçando as teses de que o Fed tenderá a aumentar os juros para esfriar as atividades e, consequentemente, tirar parte das pressões inflacionárias.

    A expectativa de maiores esforços para combater a inflação desencadeou um movimento de alta nos títulos do Tesouro norte-americano, com rendimento perto de 5%, o mais elevado em 16 anos.

    Essa rentabilidade incentiva os investidores retirarem dinheiro de mercados mais arriscados, como os emergentes, para aportar na renda fixa norte-americana, que oferece mais segurança.

    “[Os dados] sugerem que a atividade econômica em expansão nos EUA vai ter reflexos para inflação futura, e com isso tá tendo mais um dia de alta dos juros dos Treasures, e, consequentemente, pressionando as moedas emergentes”, explica a economista.

    Sem expectativa de recuo

    Novos dados nesta semana poderão dar mais pistas sobre os níveis da atividade nos Estados Unidos, o que tende a manter o mercado bastante instável. O foco está na sexta-feira (6), quando serão publicados novos números do mercado de trabalho.

    Para Elcio Cardozo, especialista em mercado de capitais e sócio da Matriz Capital, enquanto se manter a pressão sobre os títulos do Tesouro, o dólar deverá seguir em trajetória de alta.

    “Enquanto esse movimento de alta nos juros futuros americanos perdurar, é bem provável que o dólar continue se valorizando frente a outras moedas. Isso porque o investidor global prefere investir em economias mais resilientes”, explica.