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    Jerome Powell: Fed vai adotar meta de inflação em 2% e priorizar emprego

    De acordo com analistas, a postura adotada pelo Fed, de afrouxar a política monetária, mostra que o banco prevê ainda um longo período de crise à frente

    O Banco Central americano, o Federal Reserve, apresentou, após 18 meses, uma revisão de planos para tentar trazer os Estados Unidos de volta aos rumos de pleno emprego, além de cumprir a meta de inflação.

    Em anúncio realizado na manhã desta quinta-feira (27), na reunião anual de Jacskon Hole, Jerome Powell, presidente do Fed, afirmou que o BC americano agora buscará atingir uma inflação média de 2% no longo prazo. Neste ano, em razão da pandemia, a cerimônia ocorreu online. 

    Conforme explicou Powell, isso significa que, após períodos de baixa inflação, como os doze anos após a Grande Depressão, o Fed permitirá que a inflação suba acima de 2%. Além disso, o Fed também sinaliza, com a nova estratégia agressiva, de que não terá pressa em elevar as taxas de juros – mesmo que a inflação do país aumente, conforme os Estados Unidos passem a se recuperar da pandemia do novo coronavírus. 

    “Nosso comunicado revisado reflete nosso reconhecimento dos benefícios de um mercado de trabalho forte, particularmente para muitas comunidades de baixa e moderada rendas, e que um mercado de trabalho robusto pode ser sustentado sem causar um aumento indesejado na inflação”, disse o chair do Fed, Jerome Powell, em discurso explicando as mudanças.

    De acordo com analistas, a postura adotada pelo Fed, de afrouxar a política monetária, sinaliza que o Banco Central pode estar percebendo tendências de crescimento fraco para o longo prazo. Ou seja, um receio de que a inflação baixa e as taxas de juros em mínimas históricas podem prevalecer por um bom tempo.

    Mais que isso: as mudanças anunciadas por Powell ressaltam os temores do Fed de cair em uma espiral deflacionária de inflação cada vez mais baixa, como a experimentada pelo Japão. Nesse sentido, bancos centrais do mundo todo têm lutado para reverter esses ciclos. Mas, é ainda mais difícil se recuperar da deflação quando as taxas de juros já estão em zero.

    Chaiman do Federal Reserve, Jerome Powell, chega para entrevista coletiva em Was
    Chaiman do Federal Reserve, Jerome Powell, em entrevista coletiva em Washington (03.MAR.2020)
    Foto: Kevin Lamarque/Reuters

    Crise econômica e pandemia 

    Atualmente, o país tem dezenas de milhões de pessoas desempregadas por conta da pandemia de coronavírus e já vive a campanha para as eleições presidenciais, o que aumenta o grau de incerteza. Nesta quinta-feira, por exemplo, o número de pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos permanecem em torno de 1 milhão. Em março, no auge da pandemia e diante do isolamento social e fechamento de estabelecimentos, o total de pedidos de seguro-desemprego chegou ao recorde de 6,8 milhões.

    Enquanto isso, a economia americana sente os efeitos causados pela pandemia do novo coronavírus. No segundo trimestre deste ano, a economia americana registrou um recuo de 32,9%, o declínio mais forte desde que o governo começou a registrar os dados em 1947, segundo autoridades americanas. Já no 1º trimestre do ano, a economia contraiu 5%. 

    À época do anúncio do PIB, Powell reconheceu a desaceleração na atividade econômica do país e prometeu continuar injetando dinheiro na economia, para evitar maiores estragos.O Fed também manteve a taxa de juros perto de zero. 

    Após o evento desta semana e a reunião de política monetária de meados de setembro, as autoridades do Fed não se reunirão novamente até o dia seguinte à eleição.

    A revisão da estrutura do Fed começou há quase dois anos, por meio de audiências públicas e pesquisas para explorar como a política monetária deveria ser adaptada a um ambiente de taxa de juros baixa. Nesta quinta-feira, o Fed afirmou que poderia conduzir uma nova revisão sobre a política monetária a cada cinco anos.

    Agora, a nova estratégia destaca a percepção de que, devido ao envelhecimento demográfico e outros fatores, os Estados Unidos podem desfrutar tanto de baixo desemprego quanto de inflação moderada. Eles apontam para a baixa de 50 anos no desemprego antes da pandemia, que coincidiu com a baixa inflação. “Essa mudança pode parecer sutil, mas reflete nossa visão de que um mercado de trabalho robusto pode ser sustentado sem causar um surto de inflação”, afirmou o presidente da instituição. “As decisões também serão baseadas na correção de “éficits de empregos desde seu nível máximo.”

    Além disso, o chefe do Fed expôs o motivo pelo qual o desemprego baixo é positivo para a economia, especialmente para grupos menos favorecidos como os negros. “É difícil superestimar os benefícios de sustentar um mercado de trabalho forte, uma meta nacional importante que exigirá uma série de políticas econômicas além de uma política monetária de apoio”, disse Powell.

    (Com Reuters e CNN Business)