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    FGV revisa projeção inflacionária para março após alta dos combustíveis

    Como medida começa a valer quase no meio do mês, impacto na taxa será sentido até abril

    Stéfano Sallesda CNN

    Rio de Janeiro

    A alta dos preços dos combustíveis já provoca revisão na inflação de curto prazo. Com o aumento de 24,9% no custo do litro do diesel e de 18,8% no da gasolina nas refinarias, anunciado na quinta-feira (10) pela Petrobras, o Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre), projeta que a inflação de março fechará o mês em 1,15%.

    O nível é superior ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro, anunciado nesta sexta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 1,01%. De acordo com o economista André Braz, coordenador do Índice de Preços da FGV, a variação será significativa.

    “Os reajustes não chegam na mesma magnitude para a bomba dos postos de combustíveis. Prevíamos para março uma inflação de 0,75%. Com essa elevação, haverá um incremento de 0,45 ponto percentual. O impacto não será integralmente sentido esse mês porque o anúncio começa a valer agora, dia 11. Então, para dar 30 dias, haverá impacto também em abril”, pondera.

    Segundo os cálculos do economista, a absorção do reajuste pela inflação provocará impacto relevante também na taxa de abril. “Para o quarto mês do ano, a projeção era de 0,5%. Agora, o com incremento de 0,35 ponto percentual, o somatório chegará a 0,85%”, conclui o especialista.

    A alta do diesel gera mais impacto inflacionário do que a gasolina. Isto porque ele é responsável pelo transporte público e pelo frete de mercadorias, transportadas pelo país por caminhões, enquanto a gasolina tem sua utilização mais restrita à cesta de produtos das famílias. Nesse sentido, o produto não contribui para espalhar a inflação para outros segmentos.

    Em 2021, o IPCA fechou o ano com alta de 10,06%, impulsionado pelo aumento de 21,03% no grupo de transportes. Ao longo do ano, a gasolina subiu 47%, enquanto o diesel subiu 46%, segundo números do IBGE. Para 2022, o Conselho Monetário Nacional estipulou o centro da meta de inflação para 2022 em 3,5%. No entanto, as projeções do mercado financeiro, refletidas no Boletim Focus, do Banco Central, estão em 5,65%.