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    Com FGTS ou em 10x no cartão: as estratégias de varejistas para vender ovos de Páscoa

    Taxa de juros anual de empréstimo sugerido pela Americanas é semelhante ao do financiamento de um carro zero km

    Amanda SampaioDiego Mendesda CNN São Paulo

    Você não leu errado — com a aproximação da Páscoa e os preços inflacionados dos tradicionais ovos de chocolate, algumas varejistas têm encontrado alternativas um tanto quanto curiosas para viabilizar a compra de produtos.

    Entre as opções, está a utilização do saldo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), sugerida pela Americanas. Uma imagem em que a varejista expõe essa possibilidade causou alvoroço nas redes sociais nesta semana.

    Mas o anúncio é apenas um chamariz para os clientes, afinal, não é possível utilizar o saldo do FGTS para pagar alimentos — pelo menos não de forma direta.

    No caso da Americanas, a sugestão é que o consumidor realize a antecipação do saque-aniversário, uma modalidade de empréstimo oferecida pela plataforma de pagamentos da varejista, a Ame Digital.

    A antecipação do saque de aniversário é autorizada e disponibilizada pela Caixa, e permite o pagamento adiantado de até cinco parcelas do benefício.

    Na prática, o próprio saldo do FGTS serve como garantia na operação e os valores são descontados do fundo de maneira automática.

    Mas será que comprar um ovo de Páscoa utilizando o saldo do FGTS é um bom negócio? A CNN fez as contas e preparou uma simulação, considerando um empréstimo no valor total de R$ 500 — valor mínimo para a contratação da antecipação — a uma taxa de juros média de 1,99% ao mês.

    Arte/CNN

    Se considerarmos que um trabalhador pegue emprestado a cota mínima da antecipação do saque-aniversário, ao final de um ano, o valor do empréstimo terá um acréscimo de R$ 133,38 — 26,7% acima do valor original.

    A fim de comparação, a média da taxa de juros ao ano para a aquisição de um veículo zero quilômetro, segundo dados do Banco Central (BC), é de 26,1%.

    O professor de finanças da FGV, Fábio Gallo, explica que o FGTS funciona como uma espécie de “poupança forçada” em benefício do trabalhador, e não deve ser utilizado para esse tipo de consumo.

    Para o especialista, os gastos que justificam a utilização do saldo devem ser sempre previstos — como aposentadoria, a compra de uma casa própria ou emergências que envolvam a saúde do trabalhador.

    “A legislação é muito clara de que a utilização desse tipo de fundo é para que o trabalhador tenha recurso numa situação realmente difícil. Por isso, não se deve usar esse dinheiro para um consumo, e que muitas vezes pode até ser classificado como supérfluo. E esse é o cuidado que as pessoas devem ter”, afirma.

    Para quem pensa em fazer esse tipo de empréstimo para comprar ovos de Páscoa, o professor dá uma dica: “Você deve se perguntar: ‘eu preciso disso ou eu quero isso?’ Se você responder ‘eu preciso’, aí a conta é diferente. Agora, se você falar ‘eu quero isso’, você deve se perguntar também se o seu orçamento permite esse gasto no momento. Se a resposta for não, você não deve gastar”, complementa.

    O especialista destaca que, apesar de não ser ideal, o parcelamento sem juros pode ser uma alternativa para quem não pode pagar o produto à vista, mas reitera que a antecipação do saque-aniversário do FGTS para esse tipo de consumo deve ser a última opção.

    “No domingo de Páscoa, às 18h, provavelmente esse ovo não exista mais, e você vai estar pagando por meses”, conclui.

    Em nota enviada à CNN, a Americanas informou que “o produto financeiro citado (FGTS) é utilizado de forma ampla por vários setores da economia, inclusive pelo varejo e, com a criação do saque-aniversário, passou a poder ser usado para compras em várias categorias de sua rede de lojas. A companhia lembra que a utilização do serviço financeiro é apenas mais uma opção de pagamento para o consumidor”.

    Em “suaves” prestações

    Além da antecipação do saque-aniversário oferecida pela Americanas, outras varejistas têm oferecido a opção de parcelamento no cartão de crédito para a compra de chocolates.

    No Carrefour Brasil, por exemplo, os ovos de Páscoa e todos os itens sazonais podem ser parcelados em 10 vezes no Cartão Carrefour.

    Fora do período sazonal, as compras de alimentos podem ser pagas em até 3 vezes com o cartão da loja na rede Atacadão.

    “Sabemos da importância do parcelamento para nossos clientes. Por isso, nossos cartões entregam essa forma de pagamento com condições diferenciadas e flexíveis, dando acesso e muito mais poder de compra para nossos clientes”, afirma André Tonelini, Diretor Executivo de Negócios do Banco Carrefour.

    A atacadista Tenda também criou uma campanha especial para o mês de março, onde os produtos tradicionalmente consumidos na Páscoa — incluindo os ovos de chocolate — podem ser parcelados em até 6 vezes sem juros no cartão de crédito da loja.

    Procurada pela CNN, a empresa não quis dar mais detalhes ou comentar o assunto.

    A rede Assaí também tem cartão de crédito próprio, onde o cliente pode parcelar as compras em até 3 vezes. Para os produtos de Páscoa, o parcelamento pode ser feito em 4 vezes (sem juros) ou até em mais parcelas (com acréscimo de juros).