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    Empresas na Bolsa brasileira perderam R$ 439 bi no 1º semestre, mostra levantamento

    Nos Estados Unidos, perda foi de mais de US$ 12 trilhões, com desvalorizações refletindo quadro global adverso

    Inflação é principal ponto de atenção, segundo analista
    Inflação é principal ponto de atenção, segundo analista Paulo Whitaker/Reuters

    João Pedro Malardo CNN Brasil Business

    em São Paulo

    As empresas com ações na bolsa de valores brasileira registram um saldo de R$ 439 bilhões em perda de valor de mercado no primeiro semestre de 2022, segundo dados de um levantamento da plataforma Economatica.

    Das 343 empresas avaliadas, 277 tiveram perda de valor entre 1º de janeiro e 30 de junho, totalizando R$ 583,24 bilhões, ou queda de 19,31%. Já 66 registraram alta, somando R$ 144,06 bilhões, um crescimento de 14,83%. Com isso, o saldo foi negativo, de R$ 439,18 bilhões.

    A varejista Magazine Luiza liderou as perdas no período, com decréscimo de R$ 32,5 bilhões, uma queda de 208,54%.

    A empresa foi seguida, respectivamente, pela Ambev (queda de R$ 31,7 bilhões), Rede D’Or (R$ 31,1 bilhões), Weg (R$ 27,3 bilhões) e Raizen (R$ 19,2 bilhões).

    O maior ganho de valor no período foi da Eletrobras, no mesmo semestre em que houve a conclusão do processo de capitalização da agora ex-estatal. Em seis meses, o ganho foi de R$ 49,3 bilhões, ou 48,52%.

    Completam a lista de maiores ganhos o Banco do Brasil (alta de R$ 12,9 bilhões), o ItaúUnibanco (R$ 11,1 bilhões), o BBSeguridade (R$ 10,4 bilhões) e a Hypera (R$ 6,1 bilhões).

    A queda ocorre no mesmo período em que o Ibovespa, principal índice de ações da bolsa, acumulou uma perda de 5,99%.

    A bolsa chegou a ter um primeiro trimestre positivo, apoiado na entrada de investimentos estrangeiros em busca de ações descontadas e ligadas a commodities, devido à alta nos preços internacionais desses produtos.

    Entretanto, no segundo trimestre o índice entrou no vermelho, e perdeu o patamar dos 100 mil pontos.

    O mercado de ações brasileiro é prejudicado por um ambiente externo desfavorável, com investidores avessos a riscos enquanto temem um quadro de recessão global com uma série de alta de juros pelo mundo, em especial nos Estados Unidos, e efeitos de situações como a guerra na Ucrânia e novos lockdowns na China.

    A perspectiva de uma recessão afeta especialmente as ações de commodities, com forte peso na bolsa e alto valor de mercado, que seguem as quedas nos preços desses produtos com a perspectiva de uma demanda global menor.

    Internamente, a taxa Selic elevada estimula uma migração para a renda fixa, e o retorno do risco fiscal com a PEC dos Benefícios afastou investidores estrangeiros, piorando o quadro.

    A pedido do CNN Brasil Business, a Economatica também elaborou uma série histórica do valor das empresas com ações na B3 desde 2016, totalizando 241 companhias.

    No período, a primeira perda de valor foi registrada em 2021, de R$ 694,54 bilhões, equivalente a um recuo de 16,10%. No ano passado, essas empresas totalizaram R$ 3,61 trilhões em valor.

    Considerando as perdas nos seis primeiros meses de 2022, o valor atual seria de R$ 3,18 trilhões.

    Tanto o valor de 2021 quanto de 2022 estão distantes do pico na série, registrado em 2020. Ao fim daquele ano, as 241 empresas somaram R$ 4,31 trilhões em valor de mercado.

    Desempenho nos Estados Unidos

    Apesar do mercado de títulos do Tesouro ser beneficiado pelo ciclo de alta de juros nos Estados Unidos iniciado em março deste ano, o mercado de ações do país é prejudicado tanto pelos temores de recessão quanto pela migração para renda fixa.

    Outro levantamento da Economatica, que levou em conta as 4.276 empresas com ações nas bolsas de Nova York e Nasdaq, indicou uma perda de US$ 12,7 trilhões de valor de mercado.

    Ao todo, 3.525 empresas perderam cerca de US$ 14,84 trilhões em valor, uma queda de 27,75%, enquanto 753 registraram ganhos de US$ 2,08 trilhões, uma alta de 22,28%.

    O levantamento aponta que as ações mais afetadas foram as de empresas de tecnologia, listadas na bolsa de Nasdaq e tradicionalmente mais prejudicadas por altas de juros.

    Elas formam as cinco maiores perdas no semestre, com a Apple registrando a maior queda de valor de mercado. Em seis meses, a perda foi de US$ 700,44 bilhões, uma queda de 31,7%.

    Ela é seguida pela Amazon, que perdeu US$ 610,37 bilhões, Microsoft (US$ 604,24 bilhões), e pelas controladoras do Facebook e Google, a Meta Platforms (US$ 499,25 bilhões) e Alphabet (US$ 484,24 bilhões).

    A Tesla, fabricante de veículos controlada pelo bilionário Elon Musk, teve a sexta maior perda de valor de mercado, de US$ 363,61 bilhões.

    Já as cinco maiores altas no valor de mercado foram registradas por empresas mais tradicionais, com ações na bolsa de Nova York.

    Liderando a lista, a japonesa Toyota cresceu 75,6% em seis meses, equivalente a US$ 803,05 bilhões. Ela é seguida pela petroleira Exxon Mobil (US$ 101,71 bilhões), pela montadora Chevron (US$ 58,25 bilhões) e pelas farmacêuticas Eli Lilly (US$ 43,84 bilhões) e Merck (US$ 36,96 bilhões).

    Os principais índices das bolsas norte-americanas também ilustraram o semestre negativo para o mercado de ações no país. O S&P 500 teve o pior primeiro semestre desde 1970, enquanto o Nasdaq, criado nos anos 2000, teve a pior performance desde 2008.

    Considerando as 3.190 empresas com ações listadas nas duas bolsas desde 2016, a perda de valor neste semestre retornaria o valor de mercado total ao nível de 2019, de US$ 40,17 trilhões.

    Em 2020, era de US$ 47,23 trilhões, e em 2021, US$ 57,74 trilhões. Mesmo assim, o valor de mercado ainda estaria distante dos níveis de 2018 e 2017, de US$ 31,86 e US$ 35,25 trilhões, e de 2016, o mais baixo da série, de US$ 29,20 trilhões.