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    Galípolo avalia que BC está trabalhando exatamente para colher queda de inflação

    Indicado à diretoria de Política Monetária do Banco Central também afirmou que o desenho do arcabouço fiscal é uma "fotografia" da frente ampla que elegeu o presidente Lula

    Galípolo evitou, contudo, responder se teria votado como os membros do Comitê de Política Monetária (Copom) nas últimas reuniões se já estivesse no colegiado
    Galípolo evitou, contudo, responder se teria votado como os membros do Comitê de Política Monetária (Copom) nas últimas reuniões se já estivesse no colegiado Washington Costa/MF

    Thaís Barcellos, do Estadão Conteúdo

    À luz da melhora de preços de ativos e indicadores econômicos no Brasil, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Gabriel Galípolo, indicado à diretoria de Política Monetária do Banco Central, avaliou nesta terça-feira (13), que a autoridade monetária está trabalhando justamente visando a um cenário mais favorável.

    Galípolo argumentou que o ceticismo com as medidas da Fazenda vem cedendo à medida que foram obtidas vitórias gradativamente.

    Nesse sentido, o resultado se observa em ativos, como redução do dólar, juros futuros, e também em melhora nas perspectivas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e para a inflação, assim como na inflação corrente.

    Questionado se os números mostram então que o BC estava certo em manter sua estratégia de política monetária, tão criticada pelo governo Lula, Galípolo disse que o BC está fazendo o trabalho exatamente para colher isso.

    “Não acho que ninguém no BC quer só manter juros altos”, disse durante o evento “A natureza da máquina: Como funciona o Estado brasileiro”, promovido pela revista piauí.

    Galípolo evitou, contudo, responder se teria votado como os membros do Comitê de Política Monetária (Copom) nas últimas reuniões se já estivesse no colegiado. “Na posição de indicado, acho que seria desrespeito comentar decisões do Copom”, disse, em relação aos membros do Copom e também ao Senado.

    Mais cedo, no mesmo evento, Galípolo comentou sobre os textos acadêmicos que já publicou e citou rapidamente a questão da Teoria Quantitativa da Moeda, assunto que traz receios no mercado financeiro devido às dúvidas sobre o arcabouço que o secretário-executivo vai usar para definir seu posicionamento quando estiver no BC.

    “Muita gente ainda acha que o controle de inflação ainda está relacionado à quantidade de moeda. Mas há décadas que os BCs controlam a inflação como um sintoma de doença em relação à oferta e demanda”, disse ele.

    O secretário-executivo do Ministério da Fazenda também afirmou que o desenho do arcabouço fiscal discutido no Congresso atualmente é uma “fotografia” da frente ampla que elegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no ano passado.

    “Aqui não é banca de doutorado, ninguém veio para implementar a nova ideia. O arcabouço é uma fotografia da composição de forças que foi eleita no ano passado”, disse

    Segundo Galípolo, há diferentes visões entre observadores sobre os pontos certos e errados no novo marco fiscal, mas o valor maior da Fazenda é a democracia. “Aqui não é banca de doutorado, ninguém veio para implementar a nova ideia.”

    Galípolo ainda disse que seu substituto na equipe econômica, Dario Durigan, tem experiência no setor público e privado e condições de continuar o trabalho de articulação no Congresso, que tem sido feito por ele na função de secretário-executivo. Galípolo será sabatinado pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado no dia 27.

    Caso seja aprovado na comissão e no plenário, Galípolo segue para o BC e Durigan assume a secretaria-executiva da Fazenda.