Prime Time

seg - sex

Apresentação

Ao vivo

A seguir

    Governo quer o dobro de estrangeiros e US$ 9 bi em receitas com turismo até 2027

    Metas para o próximo quadriênio estão no Plano Plurianual (PPA) enviado pelo governo ao Congresso Nacional e foram detalhadas pelo presidente da Embratur, Marcelo Freixo, em entrevista à CNN

    Jussara SoaresDaniel Rittnerda CNN

    Brasília

    O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende mais do que duplicar a entrada de turistas estrangeiros no Brasil e atingir um volume anual de 8,1 milhões de visitantes em 2027.

    A marca recorde até hoje foi verificada em 2018, quando 6,6 milhões de turistas internacionais vieram ao país. Esse fluxo começou a encolher antes mesmo da pandemia e se intensificou com as restrições sanitárias. No ano passado, foram apenas 3,6 milhões de estrangeiros.

    As metas para o próximo quadriênio estão no Plano Plurianual (PPA) enviado pelo governo ao Congresso Nacional e foram detalhadas pelo presidente da Embratur, Marcelo Freixo, em entrevista à CNN.

    A expectativa do governo é alcançar US$ 9 bilhões em gastos de turistas internacionais no Brasil em 2027. Isso representa um avanço de quase 80% em relação às despesas de estrangeiros no ano passado.

    De acordo com Freixo, vários fatores ajudam a explicar essa perspectiva de crescimento no turismo receptivo brasileiro. Ele menciona a “recuperação da imagem” do país, com menos polêmicas na política externa, e o custo ainda favorável para os visitantes (com o real ainda bastante depreciado diante do dólar).

    O presidente da Embratur acrescenta outros dois movimentos importantes para a atração de mais turistas: conectividade da malha aérea e um trabalho mais focado da agência em feiras promocionais no exterior.

    Foram definidos 25 mercados estratégicos, divididos em três categorias, para embasar ações da Embratur: mercados consolidados (onde o esforço será para explorar destinos regionais e desenvolver ofertas específicas); mercados em crescimento ou consolidação; e mercados exploratórios (com boas possibilidades de crescimento no longo prazo).

    Na primeira categoria estão países vizinhos, como Argentina, e Portugal. Na segunda estão europeus, Estados Unidos, México e Peru. Na terceira encontram-se Japão, China, Canadá e Austrália.

    No caso da malha aérea, a previsão de Freixo é de 65 mil voos internacionais neste ano de e para o Brasil, com um acréscimo de 40% sobre o ano passado. Serão cerca de três milhões de assentos adicionais.

    Entre as novas rotas, destacam-se: São Paulo-Londres (pela Virgin Atlantic), São Paulo Joanesburgo (pela Latam e pela South African Airways), operações da Jet Smart (para o Chile) e da Sky Airlines (Chile, Peru e Uruguai).

    Independentemente dos motivos, os números de 2023 já são bastante animadores. De janeiro a agosto, entraram no país cerca de 4 milhões de turistas estrangeiros — marca que já supera a registrada em todo o ano passado e também o que se verificava imediatamente antes da pandemia. Foram US$ 4,4 bilhões em receitas com o turismo internacional (38% a mais do que nos oito primeiros meses de 2022).

    “A Embratur atua fortalecendo a imagem de um novo Brasil para o mundo, o Brasil com S, com compromisso climático, valorização da diversidade da nossa cultura e do nosso povo”, disse Freixo.

    “O nosso foco é diversificar os produtos turísticos brasileiros, falar de sol e praia, mas também de cultura, natureza, aventura, gastronomia”.

    Vistos

    A partir de 1° de janeiro de 2024, o Brasil voltará a exigir vistos de turistas provenientes dos Estados Unidos, Canadá e Austrália. Esses países, mais o Japão, foram contemplados pela isenção unilateral de vistos durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

    Lula, resgatando uma posição histórica do Itamaraty, voltou a exigir reciprocidade. Com isso, houve retorno da exigência para cidadãos desses quatro países.

    Logo em seguida, porém, Brasil e Japão chegaram a acordo para isenção de vistos a turistas com permanência de até 90 dias.

    Nos demais casos, segundo Freixo, o processo de solicitação e concessão do visto ao Brasil será feito 100% eletronicamente. Ou seja, não haverá necessidade de ida presencial a consulados brasileiros no exterior.

    Por isso, ele não acredita em impacto negativo para a atração de turistas estrangeiros, diante das alegações — usadas frequentemente pelos críticos da medida — de que haverá burocratização e desestímulo para o turismo no Brasil.

    Stop over no Brasil

    Entre as iniciativas para atrair mais turistas está a implementação do benefício do “stop over” no Brasil. A medida faz parte de um programa lançado nesta semana pelo Ministério do Turismo, em parceria com as companhias aéreas e com o Ministério de Portos e Aeroportos.

    A prática consiste na possibilidade de parada, sem custo adicional aos viajantes, em um destino intermediário que seja escala ou conexão até o destino final de um voo.

    Esse tipo de operação já é adotado por empresas como TAP, Air France e American Airlines em seus países de origem. A ideia do governo é estimular essa política também no Brasil. Azul, Gol e Latam estão participando da ação.

    Percepção de segurança

    Freixo destaca que, ao contrário do senso comum, não há avaliação negativa dos turistas estrangeiros sobre a violência urbana no Brasil.

    Pesquisa realizada neste ano pela Mabrian Technologies, plataforma espanhola especializada em análise de dados de turismo, mostra que os visitantes se sentem seguros no país.

    O Índice de Percepção de Segurança, que varia de 0 a 100 pontos, foi de 96,7 no Brasil. De 50 a 74 pontos, o nível de satisfação é considerado alto ou muito alto. Acima desse patamar, é tido como excelente.

    Veja também: Bares e restaurantes pedem a volta do horário de verão