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    Indicadores apontam para uma menor inflação em 2022, dizem analistas

    Especialistas avaliam que medidas tributárias permitem um melhor resultado para este ano

    IPC-S acumulou inflação de 8% nos 12 meses até julho, menor do que o avanço de 10,31% no período até maio
    IPC-S acumulou inflação de 8% nos 12 meses até julho, menor do que o avanço de 10,31% no período até maio Getty Images

    Pedro Zanattado CNN Brasil Business

    em São Paulo

    Nesta segunda-feira (1) foi divulgado o novo resultado do Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S), que apresentou um recuou 1,19% no fechamento de julho, após deflação de 0,44% na terceira quadrissemana e alta de 0,67% em junho.

    Segundo economistas ouvidos pelo CNN Brasil Business, o dado sugere que o acumulado de inflação para este ano deverá ser menor.

    Para o economista-chefe da MB Associados e Especialista CNN em Economia, Sergio Vale, os números apresentados pelo IPC-S são bons e trazem expectativas mais razoáveis de inflação para 2022.

    “Abriu espaço sim para a inflação entre 7% e 7,50% este ano, mas não dá para descartar que ela possa ser maior que isso. Mas certamente, esse número forte de deflação e um possível [resultado] de agosto ajuda a dar uma expectativa bem mais razoável de inflação”, afirmou.

     

     

    De acordo com o índice, cinco das oito categorias de despesas que compõem o indicador arrefeceram na variação entre a terceira quadrissemana de julho e o fechamento do mês, com destaque para Transportes (-2,88% para -4,81%), puxada por gasolina (-8,61% para -14,24%).

    Educação, Leitura e Recreação (-1,31% para -4,06%), Habitação (-0,37% para -0,70%), Alimentação (1,50% para 1,34%) e Vestuário (0,59% para 0,47%) foram os outros grupos a registrar desaceleração no período.

    O indicador acumulou inflação de 8% nos 12 meses até julho, menor do que o avanço de 10,31% no período até maio.

    Apesar de ter registrado desaceleração, Vale lembra que ainda é preciso acompanhar certos riscos com relação, por exemplo, ao segmento de alimentação ainda este ano.

    “Temos alguns problemas de clima e seca que podem afetar as safras e ter algum impacto que temos que acompanhar. Também tem o final do ano, com a questão política e uma tensão do que será do próximo governo… pode trazer alguma mudança de taxa de câmbio”.

    O economista-chefe da Órama, Alexandre Espírito Santo, avalia que o trabalho executado pelo Banco Central (BC) ao elevar a taxa básica de juros tem gerado resultados no combate à inflação.

    “Apesar de estarmos com a inflação ainda acima do teto da meta, de alguma maneira o mercado já está vendo que o remédio administrado [pelo Banco Central] está começando a fazer efeito”, disse.

    Nesta quarta-feira (3), o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC deve anunciar um novo aumento da taxa básica de juros – a taxa Selic. A expectativa é de que a alta encerre o ciclo de elevação sobre a taxa no Brasil.

    Expectativas

    Para o ano de 2023, os especialistas avaliam um cenário diferente, com uma expectativa de aumento da inflação.

    Sergio Vale menciona as quedas de arrecadação que os entes federativos devem enfrentar este ano por conta das mudanças em regras tributárias como, por exemplo, o teto estabelecido para a cobrando do ICMS sobre combustíveis e outros bens e serviços considerados essenciais.

    “Para o ano que vem o cenário difere, ele piora e tem expectativa de aumento da inflação, com o mercado caminhando para [um índice] entre 5% e 6%. Isso com os riscos de repasses, debaixo dessas quedas que tivemos esse ano por questão tributária, impacto de taxa de câmbio e um início de ano provavelmente turbulento que devemos ter ano que vem”.

    Além disso, Vale alerta para a inflação sobre os serviços. “A inflação de serviços está em aceleração, a população voltando a consumir serviços com intensidade. É uma inflação mais difícil de ceder, ela cai com mais lentidão”, explicou.

    O economista-chefe da Necton, André Perfeito, afirma que os esforços fiscais que geram a queda da inflação em 2022 podem não apresentar efeitos no ano que vem.

    “Como a inflação está em queda por conta de um esforço fiscal que não deve permanecer para o ano que vem, a impressão que tem é que o índice pode subir de volta. A inflação fora da meta no próximo ano ocorre por conta do fiscal, por conta das perspectivas de que o preço da gasolina suba depois que volte os impostos e acabe o período de emergência da PEC dos Benefícios”.