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    Lula e Alckmin fazem dobradinha contra juros altos no Brasil

    Coro do presidente e do vice ocorreu na semana que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central ignorou a pressão do governo e dos setores produtivos e financeiros pela redução da taxa básica de juros

    Da CNN

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), têm feito uma dobradinha nas críticas aos altos juros no Brasil.

    O coro do presidente e do vice ocorreu na semana que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central ignorou a pressão do governo e dos setores produtivos e financeiros pela redução da taxa básica de juros na quarta-feira (21). O Comitê de Política Monetária manteve a Selic em 13,75% ao ano pela sétima vez consecutiva.

    “É irracional o que está acontecendo hoje no Brasil. Temos uma taxa de 13,75% com uma inflação de 5%”, criticou Lula após divulgação do comunicado do Copom.

    “Você tem noção de quantos presidentes de Banco Central o FHC [ex-presidente Fernando Henrique Cardoso] afastou? Foram três ou quatro. Porque se o presidente indica e o cara não faz um bom trabalho, afasta ele. Agora não. Agora o presidente não pode fazer nada porque o presidente do BC não foi indiciado pelo presidente, mas pelo Congresso Nacional, pelo Senado“, completou o presidente.

    Na quinta (22), Alckmin disse que, além de causar danos à atividade econômica, inibindo investimentos e prejudicando o comércio e a indústria, o atual patamar de juros altos tem impacto forte na situação fiscal do país, já que grande parte da dívida está indexada à taxa Selic.

    “Quase metade da dívida pública brasileira é selicada [indexada à Selic]. Então, cada 1% da taxa Selic custa R$ 38 bilhões [de pagamento do serviço da dívida pública]. Não há nada pior para a questão fiscal do que uma Selic desnecessariamente elevada. Então, R$ 38 bilhões a cada 1%, se você tem uma taxa 5% acima do que deveria estar, isso custa praticamente 190 bilhões”, criticou Alckmin.

    “Você fica fazendo economia de um bilhão, meio bilhão, e acaba gastando aí quase R$ 200 bilhões em razão de ter uma taxa Selic nessa altura”, acrescentou o vice-presidente.

    O presidente Lula tem assumido a liderança nas críticas aos juros no atual mandato. Nas gestões anteriores, o papel cabia ao então vice-presidente, José de Alencar, empresário mineiro morto em 2011. Alencar costumava dizer que as elevadas taxas de juros impediam o crescimento das empresas e do PIB.

    Além do governo, uma série de entidades do setor produtivo criticaram a decisão do Banco Central. A Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) disse “lamentar” os juros altos. Disse que os “impactos negativos da Selic elevada são particularmente severos para os financiamentos imobiliários do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo”.

    Já a Firjan apontou a queda da inflação e o esfriamento da economia brasileira, o que justificaria uma queda da Selic. “Os indicadores de atividade de curto prazo já apontam queda da atividade econômica no início deste segundo trimestre.”.

    Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), “os juros estão acima do necessário para combater a inflação e impõem riscos à economia”. “É importante lembrar que a Selic em nível elevado foi um dos principais fatores de desaceleração da atividade econômica no final de 2022 e continua comprometendo significativamente a atividade em 2023”, disse a CNI.