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    Lula e Campos Neto se reúnem pela primeira vez após críticas à alta taxa de juros

    Horas antes, presidente do Banco Central elogiou o governo federal por manter meta fiscal

    Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto
    Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto REUTERS/Adriano Machado

    Taísa Medeirosda CNN*

    em Brasília

    Em sinal de reconciliação após a série de críticas feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Banco Central (BC), Roberto Campos Neto esteve no Palácio do Planalto para uma reunião com o chefe do Executivo.

    O encontro, marcado para 17h30, teve atraso de uma hora por conta das agendas de Lula. Participou, ainda, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

    Na antessala do gabinete presidencial, no terceiro andar do Palácio do Planalto, o ministro e o presidente do BC conversavam sobre o Plano de Transformação Ecológica e as chuvas no Rio Grande do Sul.

    A reunião entre os três durou cerca de 1h20. O aceno é uma sinalização de busca por equilíbrio na relação com o BC por parte do Planalto, uma vez que o mandato de Campos Neto vai até 2024.

    Fontes disseram à CNN que o pedido para o encontro partiu de Campos Neto, que, além de Lula, vem sendo alvo de críticas duras e pessoais também de muitos governistas, de dentro e fora do PT.

    Ao retornar para o Ministério da Fazenda após a reunião, Haddad disse que a reunião foi “cordial” e que teve o objetivo de “construção de relação”.

    “Foi um encontro institucional, de construção de relação, de pactuação em torno de conversas periódicas. Foi excelente”, disse. Segundo o ministro, não foram discutidos tópicos específicos.

    Esse foi o primeiro encontro entre Campos Neto e Lula desde que o petista assumiu seu terceiro mandato à frente da presidência da República.

    A agenda ocorreu a pedido do presidente do BC. Mais cedo, em audiência pública da Comissão de Finanças e Tributação (CFT) da Câmara dos Deputados, Campos Neto elogiou a adoção de metas fiscais por parte do governo, e afirmou que essa postura traz tranquilidade para que a autoridade monetária reduza a taxa de juros.

    “O governo manter a meta é uma medida muito acertada. Fez a inflação voltar para mais baixo, foi uma decisão muito acertada manter a meta, ajudou no processo e para o BC começar o ciclo de cortes de juros”, disse.

    Desde que assumiu a cadeira no Executivo, Lula não pôde realizar mudanças na diretoria do BC.

    Essa peculiaridade ocorreu porque durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) o Congresso aprovou a autonomia do BC. Lula já afirmou que o governo pretende reavaliar a autonomia do Banco Central ao final do mandato do atual presidente.

    Relatos feitos à reportagem por pessoas próximas à Lula apontam que, antes de aceitar o pedido do chefe do BC, ele consultou Haddad e aliados que têm bom diálogo com a Campos Neto.

    Ponto de atrito

    A Selic, taxa básica de juros, é o principal ponto de atrito entre os dois. No início do mandato de Lula, a taxa estava em 13,75% — agora, encontra-se em 12,75%.

    Por considerá-la elevada, o presidente não chegava nem a mencionar o nome de Campos Neto, citado como “cidadão” pelo petista. Lula também dizia que “Campos Neto não foi indicado pelo povo”.

    “Quando tinha o [Henrique] Meirelles [no comando do BC], eu conversava com o Meirelles”, completou em referência à falta de diálogo entre ele e Campos Neto até então.

    Já em agosto, mantendo a tensão entre eles, o chefe do Executivo disse que o presidente do BC “não entende de Brasil” e “de povo”.

    Dia na Câmara dos Deputados

    Presidente do Banco Central participou nesta quarta-feira de audiência na Comissão de Finanças e Tributação (CFT) da Câmara dos Deputados.

    Ao ser questionado se o BC errou por demorar a iniciar o ciclo de corte na taxa básica de juros, Campos Neto afirmou que o “Banco Central não é perfeito” e que a autoridade monetária pode cometer erros.

    Justificou que todos os bancos centrais têm duas variáveis de erro: subir os juros demais ou subir os juros de menos, mas que devem ser feitos com menos custo social.

    Destacou que foi um erro a queda de juros em 2%, ocorrida em agosto de 2020, durante a pandemia de covid-19.

    “Então sempre tem erro de análise, e a gente tenta minimizar esse tipo de erro. No mundo emergente fazer isso com quebra de credibilidade, é muito danoso para as pessoas e para o governo (…). Então sim, tem vários tipos de erro de análise, de erro de interpretação, o BC não é perfeito”, afirmou durante na Comissão de Finanças e Tributação (CFT), da Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (27).

    Campos Neto afirmou ainda que a inflação é um “imposto perverso que onera quem não pode se defender dela”. E ressaltou a necessidade de ter cautela na queda dos juros no Brasil para não haver descontrole inflacionário.

    Ainda respondendo aos questionamentos na CFT, afirmou ser a favor da taxação de offshores, os fundos que têm rendimentos em paraísos fiscais. De acordo com o chefe da instituição, a alíquota para esses fundos deveria ser de 10%.

    “Sou a favor da taxação de offshore, inclusive defendi um aumento no imposto, para 10%. Sugeri ao relator da MP, que na época era o Celso Sabino (hoje ministro do Turismo). Acho que 6% é baixo. Eu pedi 10% e não 6%”, disse.

    Veja também: Campos Neto diz que estuda fim do crédito rotativo

    *Com Diego Mendes, da CNN em São Paulo

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