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    6 em cada 10 indústrias possuem área dedicada à sustentabilidade, diz CNI

    Pesquisa mostra ainda que 69% dos executivos ouvidos pretendem ampliar investimentos na área nos próximos dois anos

    Na opinião dos empresários, o fator que mais pesa na decisão de investir em sustentabilidade é a redução de custos
    Na opinião dos empresários, o fator que mais pesa na decisão de investir em sustentabilidade é a redução de custos Shutterstock

    Do CNN Brasil Business em São Paulo

    Um pesquisa divulgada nesta quarta-feira (9) aponta que 6 em cada 10 indústrias brasileiras possuem uma área dedicada à sustentabilidade. O resultado representa um salto em relação ao ano passado, quando 34% dos entrevistados afirmaram ter no seu organograma área para lidar com o assunto.

    O levantamento feito com executivos do setor foi elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

    Segundo a pesquisa, a preocupação dos empresários com o impacto na cadeia produtiva também aumentou. 45% dos entrevistados disseram exigir certificados ambientais de seus fornecedores e parceiros na hora de fechar um contrato.

    Em outubro do ano passado, o percentual foi de 26%. A maioria (52%) das indústrias, de acordo com os participantes, também já tiveram de comprovar ações ambientalmente sustentáveis na hora de serem contratadas contra 40% em 2021.

    Além disso, outro termômetro para medir a relevância do tema para o setor industrial é a visão dos executivos sobre os consumidores. Em um ano, passou de 20% para 35% o número de empresários que consideram alto ou muito alto o peso dos critérios ambientais sobre a decisão de compra de seus consumidores.

    Contudo, na prática, apenas uma em cada 10 empresas, segundo os entrevistados, deixaram de vender algum produto por não ter certificação ou seguir algum requisito ambiental.

    “A indústria brasileira assumiu a responsabilidade com a agenda ambiental e tem trabalhado para se tornar referência no uso sustentável dos recursos naturais e aproveitamento das oportunidades associadas à economia de baixo carbono. A sustentabilidade está no nosso DNA, tanto na busca por eficiência quanto na economia de recursos para ser mais competitivo e atender às exigências do mercado internacional. O mundo cobra do Brasil responsabilidade ambiental, e o setor privado tem interesse em se manter alinhado com os acordos internacionais”, destacou o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.

    Investimentos

    Em relação aos investimentos em sustentabilidade, metade das indústrias (50%) aumentou os recursos alocados em sustentabilidade nos últimos 12 meses, segundo os executivos.

    Um percentual ainda maior, equivalente a 69% dos entrevistados – ou 7 em cada 10 indústrias -, disse que os recursos financeiros para implementar ações de sustentabilidade na sua indústria vão aumentar nos próximos dois anos.

    Esse percentual foi de 63% no ano passado. Também cresceu de 30% para 47%, em um ano, o número de executivos que enxergam a agenda de sustentabilidade como só oportunidades ou mais oportunidades do que riscos.

    Na opinião dos empresários, o fator que mais pesa na decisão de investir em sustentabilidade é a redução de custos, citado por 41% como primeiro e segundo principal motivo. Em seguida, estão o aumento da competitividade e o atendimento às exigências regulatórias, cada um desses tópicos foi citado por 30% dos entrevistados.

    Com percentual próximo também foram elencados como motivos para alocar recursos nesta área o uso sustentável dos recursos naturais (28%) e a reputação junto à sociedade e consumidores (26%).

    Sobre os obstáculos para a implementação de ações, 50% dos entrevistados apontaram a falta de incentivos do governo como principal barreira. Do total, 37% citaram a falta de cultura de sustentabilidade no mercado consumidor e, para 34%, o fato de a sustentabilidade representar custos adicionais é o principal desafio para a mudança no processo produtivo.

    Dificuldades

    Sobre as dificuldades enfrentadas pelo setor, a maioria dos executivos (55%) considera difícil ou muito difícil o acesso ao crédito para adoção de ações sustentáveis na produção.

    Do total das indústrias pesquisadas, 23% buscaram por créditos privados nos últimos dois anos, sendo que 15% obtiveram o financiamento. Dentre os que recorreram a recursos públicos nos últimos dois anos, 16% tentaram crédito e 6% chegaram a receber o benefício.

    Considerando o grupo de empresas que teve acesso a crédito público e/ou privado, o uso de fontes renováveis aparece como principal finalidade: 47% utilizaram o recurso para buscar fonte de energia limpa. Percentual muito acima dos demais objetivos citados, como aprimoramento de processos (16%), modernização de máquinas (14%) e ações para reduzir resíduos sólidos (6%).

    Principais focos

    Sobre a adoção de iniciativas sustentáveis, a pesquisa mostra que 84% das indústrias realizam pelo menos cinco medidas dentre as nove incluídas no questionário. No topo da lista, estão ações para reduzir a geração de resíduos sólidos na produção, em que 91% dos executivos disseram já adotar a prática.

    Também tiveram percentuais altos, 80% ou mais, ações relacionadas a melhoria de processos, otimização do consumo de energia e do uso da água. Em último lugar está o uso de fontes renováveis de energia, em que 48% das indústrias disseram adotar.

    O uso de fontes renováveis de energia foi apontado pela pesquisa como o principal foco de investimento em sustentabilidade das indústrias nos próximos dois anos: 37% dos entrevistados disseram ser essa a primeira ou a segunda prioridade na alocação de recursos.

    Em seguida estão a modernização de máquinas, citada por 35% dos executivos, e ações para reduzir a geração de resíduos sólidos, com 32%. Como cada um dos entrevistados citou dois principais focos para os investimentos até 2024, os percentuais são a soma da primeira e segunda prioridade apontadas.

    *Publicado por Pedro Zanatta, do CNN Brasil Business