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    Diante de pressão de Lula, aliados de Campos Neto dizem que ele deveria renunciar

    Segundo ex-presidente do BB, o melhor é Campos Neto abandonar o BC e deixar que fique “evidente” a consequência das ações do PT na economia

    Renata Agostini

    Um grupo de amigos do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, diz que ele deveria renunciar ao cargo diante do comportamento adotado pelo governo Lula. É o que conta Rubem Novaes, ex-presidente do Banco do Brasil no governo Jair Bolsonaro, que conhece há tempos o chefe do BC.

    “Faço parte do grupo de amigos do Roberto que acreditam que ele deveria deixar a presidência do BC. Com este governo, o êxito é uma impossibilidade e o Roberto não deve deixar que recaia sobre ele a responsabilidade pelo fracasso. Não será bom nem para ele nem para a defesa do Banco Central independente”, disse Novaes à CNN.

    “Está tudo armado para colocar a culpa nele pela recessão, inflação, aumento do desemprego. Estão dando uma missão impossível para o Roberto e vão depois crucificá-lo. Ninguém deveria ser obrigado a cumprir uma missão impossível. E Roberto tem hoje missão impossível”, afirmou Novaes.

    Segundo ele, o melhor é Campos Neto abandonar o BC e deixar que fique “evidente” a consequência das ações do PT na economia. “Melhor dar uma lição para todos em vez de receber condições de não ter êxito. Não basta Fernando Haddad dar declarações de boa vontade”, disse.

    De acordo com ele, o pedido para que deixe o Banco Central já foi feito a Campos Neto. “A cada comentário infeliz do Lula sobe a taxa que precisa ser praticada para o alcance do intervalo da meta. E tudo ficará ainda pior se a meta for revista para cima. A enrascada é enorme”, afirmou.

    Novaes foi o primeiro presidente do Banco do Brasil na gestão Bolsonaro. Ele compôs ao lado de Campos Neto o grupo que, sob o comando de Paulo Guedes, formulou o plano para a economia do governo Bolsonaro.

    Debate

    No entorno de Campos Neto, também há a defesa para que ele resista e se mantenha no cargo. É o que defendem dois aliados de Campos Neto que falaram com a CNN sob reserva.

    Um integrante do alto escalão do governo anterior diz que sabe dos conselhos para que Campos Neto repense sua posição no Banco Central, mas entende que o melhor é ele cumprir todo o seu mandato.

    “A independência do BC é uma conquista do governo Bolsonaro. Se Roberto sai, isso desmorona. Vai ser mais um avanço desfeito”, diz.

    Outro aliado de Campos Neto diz que o vê “firme no posto”, mas entende que o chefe do BC deveria deixar claro para o atual governo “seus limites”. “Mexer na meta de inflação é um problema enorme. Os novos diretores também deveriam ser escolhidos ao menos com a anuência de Roberto”, afirma esse aliado.