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    Entenda a queda de 11% no boi gordo e por que valor não deve atingir consumidor

    Incerteza sobre o tempo que a paralisação de exportações de carne para a China pode durar faz com que a indústria, a partir do momento de suspeita do caso, pare as compras

    Carnes expostas em açougue: apesar do recuo significativo no valor da arroba, movimento não deve ser sentido pelo consumidor final
    Carnes expostas em açougue: apesar do recuo significativo no valor da arroba, movimento não deve ser sentido pelo consumidor final Dalibor Despotovic / Getty Images

    Da CNN

    No primeiro dia do autoembargo do Brasil às exportações de carne bovina à China —um dia após o anúncio do caso de mal da “vaca louca” em um animal no Pará—, o preço do boi gordo no estado de São Paulo despencou 10,7% em relação ao valor negociado no dia anterior.

    O dado é do indicador de preços do boi gordo CEPEA/B3 que monitora a média ponderada dos preços à vista do mercado paulista. Segundo a série histórica desse indicador, esse é o menor preço registrado desde novembro de 2021.

    A incerteza sobre o tempo que a paralisação de exportações de carne para a China pode durar faz com que a indústria, a partir do momento de suspeita do caso, pare as compras, explica Leonardo Alencar, head de Agro, Alimentos e Bebidas da XP.

    Preços do boi gordo
    Preços do boi gordo / CNN

    “Nesse momento, com o mercado físico praticamente parado, a gente perde até o referencial de preço para a arroba do boi gordo. O que aconteceu foi que o mercado futuro já precificou uma queda expressiva na quarta-feira, esperando queda diante de restrição de exportação, que começou na quinta”.

    O especialista ressalta ainda a existência de referencial de preço para dois tipos de boi: o comum e o fino. Esse último tem um prêmio maior, é mais jovem, com menos de 30 meses, e é o tipo exportado para a China, explica.

    “Então, já tinha uma categoria com preços mais altos. Essa categoria, justamente, não vai ter negociação enquanto não voltarem as exportações para a China, e o mercado todo físico fica paralisado, o que ajuda a explicar a queda expressiva. Lembrando que estamos na safra, então a oferta de gado já é maior, já tem uma pressão nos preços, e estamos no ciclo pecuário de maior oferta também. Tudo isso favorece uma queda maior no preço do boi gordo”, diz.

    Recuo não deve ser sentido no bolso

    Apesar do recuo significativo, o movimento não deve ser sentido pelo consumidor final, segundo especialistas.

    “O preço do boi cai para o frigorífico e o atacado, mas o varejo não acompanha. Isso porque existe um delay que faz com que a carne vendida não seja tão volátil. Portanto, pode haver uma promoção ou outra pontual na carne no mercado, mas não é algo esperado neste momento”, diz Lygia Pimentel, CEO da Agrifatto.

    Existe outro fator que pode fazer com que o efeito de queda do preço interno não ocorra necessariamente.

    Isso porque, além de o país ter a possibilidade de redistribuir a oferta, o pecuarista pode optar por manter o gado um pouco mais no pasto, considerando que ainda não chegou o inverno, segundo Andre Braz, economista da Fundação Getulio Vargas (FGV).

    O sócio-diretor da Athenagro Consultoria, Maurício Palma Nogueira, lembra que, em 2021, o boi gordo caiu quase 20%, mas a carne para os frigoríficos teve queda menor, em torno de 5%. “Para o consumidor, a queda foi ainda menor, perto de 1%”, disse. Ele acrescentou que, na época, o setor acabou absorvendo a queda de preços para tentar recuperar margens após o período mais duro da pandemia da Covid-19.

    *Publicado por Ligia Tuon / com informações de Thais Herédia, Fernando Nakagawa e Fabrício Julião