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    Ipea eleva projeção para inflação de 2022 de 5,6% para 6,5%

    A desaceleração continuará por 2023. Nas projeções do Ipea, o IPCA do próximo ano ficará em 3,6%

    Texto deu ênfase aos preços de alimentos. O Ipea elevou a projeção para a variação dos preços de alimentos no domicílio no IPCA de 2022 para 9,1%, ante 6,1% anteriormente
    Texto deu ênfase aos preços de alimentos. O Ipea elevou a projeção para a variação dos preços de alimentos no domicílio no IPCA de 2022 para 9,1%, ante 6,1% anteriormente ullstein bild via Getty Images

    Vinicius Neder, do Estadão Conteúdo

    O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) elevou sua projeção para o IPCA de 2022 para 6,5%, ante 5,6% projetados anteriormente.

    A estimativa anterior já tinha sido resultado de uma revisão para cima em fevereiro.

    Antes disso, o Ipea estimava um avanço de 4,9% no IPCA deste ano.

    Em relatório publicado nesta quinta-feira (31) pesquisadores do Ipea explicaram que, “mesmo diante de um comportamento mais benevolente do câmbio”, a revisão se deve à “manutenção da trajetória de alta das commodities no mercado internacional, aliada ao impacto da guerra (na Ucrânia) sobre os preços do petróleo e aos efeitos climáticos sobre a produção doméstica de alimentos”.

    O texto deu ênfase aos preços de alimentos. O Ipea elevou a projeção para a variação dos preços de alimentos no domicílio no IPCA de 2022 para 9,1%, ante 6,1% anteriormente.

    “O comportamento dos alimentos no domicílio é o que mais vem surpreendendo negativamente. De fato, além dos danos causados pela ocorrência do fenômeno La Niña sobre as plantações de frutas, verduras e legumes, o seu impacto neste início da safra 2021-2022 também já ocasiona prejuízos a algumas lavouras importantes, como soja, milho de primeira safra e arroz. Adicionalmente, o efeito da guerra entre Rússia e Ucrânia sobre a produção de milho e trigo e sobre os custos dos fertilizantes deve continuar a pressionar os alimentos ao longo do primeiro semestre de 2022″, diz o relatório.

    Apesar das seguidas revisões para cima nas projeções para o IPCA deste ano, os pesquisadores do Ipea lembram que a tendência de desaceleração se mantém. Afinal, mesmo uma alta de 6,5% ficaria bastante abaixo dos 10,1% registrados em 2021.

    A desaceleração continuará por 2023. Nas projeções do Ipea, o IPCA do próximo ano ficará em 3,6%.

    Isso permitirá um alívio na política monetária. Para os pesquisadores do Ipea, o Banco Central (BC) ainda elevará a taxa básica Selic, dos atuais 11,75% ao ano, a 12,75% ao ano.

    Esse nível permanecerá até o fim de 2022, mas a taxa será ajustada para baixo ao longo de 2023. O Ipea espera que a Selic termine o próximo ano em 9,0% ao ano.

    Ipea mantém projeção de crescimento do PIB de 2022 em 1,1%, mas muda composição

    O Ipea manteve sua projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2022 em 1,1%, mas mudou a composição do desempenho da atividade econômica.

    Para os pesquisadores do Ipea, agropecuária e indústria terão desempenho pior do que o inicialmente esperado, enquanto os serviços, na esteira da normalização das atividades à medida que a pandemia é controlada, puxarão a economia.

    Segundo o Ipea, a economia começou o ano sob impacto do aumento de contaminações da covid-19, por causa da variante Ômicron, mas a onda mais recente da doença foi rápida. Fevereiro e março foram meses de recuperação, de forma que os pesquisadores do Ipea estimam crescimento de 0,5% no PIB do primeiro trimestre ante o último de 2021.

    “Apesar disso, acreditamos que a economia continuará sendo afetada por um conjunto de fatores que tendem a desacelerar seu ritmo de crescimento ao longo dos próximos trimestres de 2022. De um lado, os índices de inflação continuam surpreendendo para cima, o que afeta a renda real das famílias e seu consumo. Os efeitos do ciclo de aperto monetário ainda se farão sentir por algum tempo, resultando em perspectivas menos robustas de crescimento no mercado de crédito”, diz um trecho do relatório divulgado nesta quinta-feira pelo Ipea.

    Por causa da seca na região Sul na virada do ano, o crescimento do PIB da agropecuária foi revisto para apenas 1,0%, ante 2,8% anteriormente. O PIB industrial também foi revisado para baixo. Antes, o Ipea estimava variação nula, agora, espera uma queda de 0,8%.

    “A desorganização das cadeias de abastecimento globais persiste, o que, aliado aos efeitos defasados da política monetária, não enseja prognóstico muito favorável”, diz o relatório do Ipea.

    Nesse quadro, a economia será puxada, em 2022, pelo setor de serviços. A projeção para o PIB do setor foi revisada para cima, para uma alta de 1,8%, ante a estimativa de 1,3%, anteriormente.

    “Superada a piora ocorrida no mês de janeiro, quando o aumento de casos de covid-19 voltou a reduzir os níveis de mobilidade urbana, esperamos que os efeitos da pandemia diminuam, permitindo o fechamento do hiato daqueles segmentos mais fortemente atingidos pela crise sanitária.

    A recuperação do setor de serviços deverá sustentar o bom desempenho dos indicadores de ocupação, gerando um efeito positivo na demanda doméstica”, diz o relatório do Ipea.

    Assumindo que a incerteza será reduzida com o fim do conflito armado no Leste Europeu ao longo do ano e que a desaceleração da inflação permitirá o início de um ciclo de alívio na política monetária a partir da virada de 2022 para 2023, a projeção de crescimento do PIB no próximo ano está em 1,7%.

    Segundo os pesquisadores do Ipea, essa projeção também considera “a manutenção de um arcabouço de regras fiscais compatível com o compromisso com a disciplina fiscal, mantendo sob controle o risco associado à evolução das contas públicas”.

    “Como qualquer previsão em horizontes maiores de tempo, esta, em particular, embute riscos em relação à não concretização dos cenários mencionados, cuja natureza é de neutralidade nas condições econômicas. Cenários mais otimistas no que se refere, por exemplo, a uma agenda legislativa mais robusta em 2023 resultariam em uma previsão maior via indicadores de confiança. O mesmo efeito se faria presente com a redução mais rápida dos níveis de inflação, que resultaria no fim do aperto monetário no Brasil e nas principais economias. Por sua vez, mudanças desfavoráveis na percepção do risco fiscal teriam o efeito contrário”, diz o relatório do Ipea.