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    O NÓ DOS JUROS

    Problemas nas contas públicas, garantias e impostos: as razões dos juros altos no Brasil

    Série "O Nó dos Juros" mostra causas de taxas tão altas no país

    Fernando Nakagawada CNN São Paulo

    O Banco Central (BC) interrompeu o corte de juros e não deve retomar o movimento de alívio tão cedo. A opinião é de economistas ouvidos pela CNN no primeiro episódio da série “O Nó dos Juros”, que começou a ser exibida nesta segunda (8) no CNN Prime Time.

    Sem sinais críveis de uma melhora consistente na situação fiscal no Brasil e com as dúvidas sobre a trajetória dos juros nos Estados Unidos, a taxa Selic deve seguir em 10,5% até que as essas premissas fiquem mais claras. Por enquanto, nada muda.

    “Eu acho que, no curto prazo, o Brasil vai continuar sendo, infelizmente, um país de alta taxa de juros. Muito dificilmente a gente retorna nos próximos anos a uma taxa Selic de 4,5%, como foi a de 2019”, diz o ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega.

    O ex-presidente do BC Gustavo Loyola concorda. “É natural que ninguém goste de juros altos. Então existe uma pressão pela redução dos juros. O Banco Central sabe disso, isso é público. Mas isso não altera muito a convicção do BC”.

    Historicamente, analistas citam três grandes razões para os juros elevados no Brasil.

    Primeiro, as contas públicas. O déficit do governo injeta mais dinheiro na economia, o que faz com que haja maior demanda — o que pressiona a inflação.

    O rombo das contas públicas também aumenta a dívida pública, o que gera incerteza e também acelera a inflação. Isso tudo influencia a taxa Selic.

    Esse é o grande pano de fundo para o Brasil ter a segunda maior taxa real do planeta. Juro real é a taxa anunciada pelo BC menos a inflação esperada para os 12 meses à frente.

    Atualmente, segundo ranking MoneYou, o Brasil tem juro real de 6,79% — abaixo apenas da Rússia, um país em guerra, que tem juro real de 8,91%.

    Países comparáveis ao Brasil praticam juros reais muito menores: Colômbia tem 2,66%, Índia opera com 2,25%, China tem atualmente 0,99% e Chile, 0,97%.

    Mas também há razões para que a taxa final, ao consumidor e às empresas, seja elevada em termos internacionais.

    Bancos e financeiras reclamam da falta de garantias nos empréstimos no Brasil. Explicam que, em caso de inadimplência, é muito difícil retomar um bem dado como garantia no financiamento, como um carro ou uma moto.

    Outro motivo citado é a carga tributária. Chamada de “cunha fiscal” pelos economistas, o peso dos impostos na atividade bancária, especialmente no crédito, acaba também pressionando as taxas para cima.

    Cenário internacional também pressiona

    Para além das razões domésticas, é preciso destacar que a política monetária norte-americana também tem grande influência sobre as decisões do BC no Brasil. E, hoje, é um grande foco de atenção e preocupação do BC e dos agentes financeiros.

    Isso acontece porque todo o mundo financeiro havia se preparado para alguns cortes de juro nos EUA em 2024.

    Essa taxa é considerada a grande referência para o custo do dinheiro em todo o mundo. Se esse juro cai, é esperado impacto em todo o planeta.

    Mas, ao contrário da aposta dos investidores, o juro ainda não caiu nos EUA porque a inflação segue pressionada. Analistas dizem que, se houver redução da taxa americana, poderá ser em apenas um corte neste ano.

    É bem diferente da aposta de que a taxa seria reduzida em várias reuniões em 2024. Esse ambiente externo também reduz o espaço para o corte de juros no Brasil.