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    Puxado por serviços, PIB brasileiro deve crescer 1,1% em 2022, diz Ipea

    Aumento na produção de riquezas do país já reflete no mercado de trabalho; setor de serviços contratou mais 652 mil pessoas no tri encerrado em fevereiro

    Lucas Janoneda CNN

    Rio de Janeiro

    O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deve crescer 1,1% em 2022. É o que aponta a projeção feita pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), na quinta-feira (31).

    Em valores absolutos, o resultado representa uma injeção adicional de R$ 95,5 bilhões, em comparação com o ano passado.

    O crescimento da economia brasileira deve ser puxado principalmente pelo setor de serviços, com uma alta prevista de 1,8% em 2022. O segmento movimentará cerca de R$ 92,8 bilhões a mais, frente ao ano anterior. Trata-se do único setor que já apresenta patamares pré-pandemia.

    À CNN, o diretor do Ipea, Marco Cavalcanti, destaca que a reabilitação do setor está atrelada ao melhor cenário epidemiológico no país. Ele ainda detalha quais são os serviços mais importantes para a recuperação do segmento.

    “Todos os serviços prestados às famílias são fundamentais para a melhora na economia do Brasil. Estou falando de cabelereiro, academia, curso de idiomas, e outros. Além desses serviços, nós temos também o gasto com alojamento, que representa uma grande parcela do segmento. Mas sim, precisamos lembrar que o bom resultado é possível graças ao melhor cenário da pandemia de Covid-19 e, consequentemente, da redução nas restrições econômicas”, disse Marco Cavalcanti.

    Na contramão dos serviços, os demais setores produtivos devem registrar tímida recuperação em 2022. O agronegócio crescerá apenas 1% nos próximos meses. Com os piores indicadores do país, a indústria brasileira terá uma queda de 0,8%.

    “O setor de serviços é o que mais se recupera no Brasil. O segmento apresenta sinais bem positivos para o futuro, sendo o único segmento que já se recuperou totalmente da pandemia. A agropecuária não está tendo um ano muito bom. E o setor da indústria é o pior de todos, está registrando mais perdas do que ganhos ao longo do ano. Por exemplo, a indústria já sente a pressão inflacionária, fato que ainda não atinge os demais setores”, disse o economista da CNC, Fábio Bentes.

    Acompanhando o aumento na produção de riquezas do país, diversos indicadores econômicos já apresentam melhoras nos primeiros meses do ano: alta no número de contratações e queda na população subutilizada.

    Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta quinta-feira (31), mostram que a taxa de desocupação recuou para 11,2% no trimestre encerrado em fevereiro. Trata-se da terceira queda consecutiva no indicador.

    A pesquisa também traz a queda de 25% na taxa subutilização, em comparação com o trimestre anterior. Na prática, a população subutilizada passou de 29,1 milhões para 27,3 milhões. Somente o setor de serviços contratou mais 652 mil pessoas no trimestre encerrado em fevereiro, em comparação com o anterior.

    E a expectativa é que o cenário continue a melhorar. Segundo o Ipea, para 2023, o crescimento do PIB será de 1,7%. De acordo com os pesquisadores ouvidos pela CNN, o bom resultado está atrelado à redução gradual da taxa de juros prevista para os próximos dois anos.