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    Após embate no X, memecoin “ElonxAlexandre” dispara mais de 1.600% em dois dias

    Entenda como funcionam ativos digitais que homenageiam assuntos da internet

    O bilionário Elon Musk e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes
    O bilionário Elon Musk e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes Arte/CNN

    Amanda Sampaioda CNN

    São Paulo

    O embate entre o dono do “X”, Elon Musk, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, chegou ao mundo das criptomoedas. A memecoin “ElonxAlexandre”, criada no último dia 7 de abril, disparou mais de 1.600% em apenas dois dias.

    Quando lançada, a moeda valia o equivalente a US$ 0,0002 e atingiu o patamar de US$ 0,0034 nesta terça-feira (9).

    O imbróglio entre o ministro e o empresário teve início no último sábado (6), quando o criador da rede social questionou Moraes sobre “tanta censura no Brasil” e informou que derrubou os bloqueios das contas na plataforma impostas pelo magistrado.

    As provocações se estenderam até pelo menos a última segunda-feira (8), quando o bilionário decidiu atacar diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele afirmou que o ministro do STF tem Lula numa “coleira”.

    Pedro De Luca, head de análise de criptoativos e tecnologia da FF Capital, explica que Musk acabou se tornando um grande símbolo das memecoins. Ele relembra que a Tesla, também pertencente ao bilionário, chegou a aceitar o Bitcoin como forma de pagamento em 2021.

    “Há anos antes de todo esse imbróglio com o Alexandre de Moraes, qualquer coisa que o Elon Musk tuíta, instantaneamente, alguém cria uma memecoin relacionada ao assunto. Então ele tem uma relação forte com as memecoins”, diz.

    Ele afirma que essa não é a primeira moeda criada a partir de questões políticas. Como exemplo, ele cita a Jeo Boden (em referência a Joe Biden) e a Danold Tromp (em referência a Donald Trump).

    Mas atenção: o especialista enfatiza que esse tipo de ativo é, possivelmente, uma das maiores fontes de golpe dentro do universo das criptomoedas.

    “Quando vemos notícias de muita gente perdendo muito dinheiro ou moedas indo a zero, muitas vezes são fruto de memecoins. O mesmo vale quando vemos essas altas com esses números muito assustadores. Eu recomendaria, com bastante ênfase, que as pessoas mantenham distância disso”, destaca.

    Para De Luca, esse tipo de ativo pode ser comparado a um cassino — no caso da “ElonxAlexandre”, ele afirma que a moeda deve se valorizar ainda mais, a depender dos desdobramentos do caso, mas diz que é alta a chance de que ela despenque de uma hora para outra, com grande risco de desaparecer.

    O que são as memecoins

    As chamadas memecoins são moedas digitais inspirada em memes, e surgiram como uma extensão “divertida” do fenômeno das criptomoedas.

    “A primeira memecoin foi a Dogecoin, que foi criada por um crítico do bitcoin. Ele considerava, por exemplo, que o bitcoin não era tão escasso, porque qualquer pessoa poderia criar uma outra moeda. E esse já é um argumento de que isso não deve ser levado a sério. Ele criou como uma piada”, afirma De Luca.

    No entanto, a Dogecoin acabou sendo bem aceita no mercado das criptomoedas, especialmente devido à ilustração da moeda — um cachorro que havia se tornado meme.

    A partir disso, muitas outras moedas foram criadas seguindo essa mesma linha, como a Shiba Inu, em homenagem à raça de cães japonesa.

    “Criar essas moedas é um processo relativamente fácil. Você não precisa ter nenhuma regra que faça sentido, como no caso do bitcoin e do ether, que têm alguma utilidade”, conclui.

    Desde o princípio, as memecoins são ativos extremamente voláteis, com pouco ou nenhum valor real, e com alta possibilidade de golpes. Por isso, o investidor deve ter muito cuidado ao comprar esse tipo de ativo.