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    Mesmo com auxílio, um quarto dos brasileiros vivia na pobreza em 2020, diz IBGE

    Essa era a situação de 50 milhões de brasileiros; outros 12 milhões viviam drama ainda maior: a extrema pobreza

    Ambulantes disputam espaço nos faróis de São Paulo por causa do aumento do desemprego na pandemia
    Ambulantes disputam espaço nos faróis de São Paulo por causa do aumento do desemprego na pandemia Foto: JOSUÉ EMIDIO/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

    Stéfano Sallesda CNN

    Rio de Janeiro

    Mesmo com os benefícios emergenciais pagos ao longo de 2020, um em cada quatro brasileiros viveu em situação de pobreza, caracterizada por renda individual inferior a R$ 450 por mês.

    Essa foi a realidade de 50 milhões de brasileiros, número maior que toda a população de São Paulo (44 milhões), o estado mais populoso do país. Os números foram divulgados nesta sexta-feira (3), na Síntese de Indicadores Sociais, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    A consulta mostrou ainda que, no mesmo período, outros 12 milhões de pessoas viviam em extrema pobreza, com renda inferior a R$ 155. Na falta de uma metodologia brasileira para a realização dessas classificações, o IBGE utilizou os parâmetros do Banco Mundial, estabelecidos em dólar e convertidos para real. Somados, os grupos totalizam 62 milhões (29% da população nacional).

    Sem o benefício, a situação seria ainda mais grave. Segundo o instituto, a população em extrema pobreza seria mais que o dobro da atual: passaria de 12 milhões (5,7%) para 27 milhões (12,9%).

    Já em situação de pobreza, o número passaria de 50 milhões (24,1%) para 67 milhões (32,1%). Seriam os maiores patamares da série histórica. No somatório, o país passaria dos 62 milhões de pessoas em situação de pobreza ou extrema-pobreza para 94 milhões.

    Analista do IBGE, Bárbara Cobo explica que o comportamento das faixas apresentou importantes variações regionais. “Considerando a linha da pobreza, por exemplo, Norte e Nordeste tiveram quedas em relação a 2019, enquanto Sul, Sudeste e Centro-Oeste apresentaram estabilidade. O comportamento Brasil foi muito influenciado pelo que aconteceu nas regiões Norte e Nordeste”, afirma.

    Responsável por mensurar a desigualdade social, o Índice de Gini varia de zero a um. Quanto mais próximo do zero, maior a igualdade, quanto mais próximo de um, mais intensa é a desigualdade. Em 2020, o indicador ficou em 0,524, o que mostra uma redução de 3,7% em relação ao ano anterior, o que significa redução da desigualdade.

    Contudo, conforme o IBGE, sem os programas sociais, a desigualdade aumentaria 2,3% em 2020, em relação a 2019, e o índice fecharia o ano em 0,560.

    No Nordeste do país a alta seria ainda maior: 4,5%, passando de 0,598 em 2019 para 0,625 no ano passado. Contudo, com os programas, a região apresentou queda de 6,1% no indicador, estabilizado em 0,526.