Prime Time

seg - sex

Apresentação

Ao vivo

A seguir

    OCDE revisa para baixo projeção para o PIB do Brasil em 2022, de 1,4% para 0,6%

    Para 2023, previsão sobre crescimento da economia brasileira caiu de 2,1% para 1,2%

    Após forte recuperação de 2021, PIB do Brasil deve desacelerar significativamente em 2022 até se recuperar no próximo ano, diz OCDE
    Após forte recuperação de 2021, PIB do Brasil deve desacelerar significativamente em 2022 até se recuperar no próximo ano, diz OCDE Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket via Getty Images

    Ilana Cardial, do Estadão Conteúdo*

    A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) reduziu sua projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil neste ano, de 1,4% para 0,6%. Para 2023, a previsão caiu de 2,1% para 1,2%. As mudanças desde as estimativas de dezembro passado foram informadas através do relatório de perspectivas econômicas da OCDE, publicado nesta quarta-feira, 8.

    Depois da forte recuperação vista em 2021, o crescimento econômico do Brasil deve desacelerar significativamente em 2022 até se recuperar no próximo ano, observa a OCDE. “O aumento da inflação, a guerra na Ucrânia e as condições financeiras mais apertadas corroeram o sentimento econômico e o poder de compra, o que deve afetar fortemente a demanda doméstica no primeiro semestre de 2022”, prevê a organização.

    A corrida presidencial ao fim do ano também adiciona incertezas ao cenário e ajuda a manter o investimento moderado até 2023, nota a OCDE. A instituição observa que a recuperação do mercado de trabalho brasileiro tem sido lenta, com a taxa de participação e de rendas reais abaixo dos níveis pré-pandemia.

    Com o aumento de preços de alimentos e energia em meio à guerra da Rússia na Ucrânia, a OCDE defende programas sociais para proteger a população mais vulnerável. Além disso, o relatório afirma ser necessário esforços adicionais para melhorar o direcionamento e eficácia dos gastos públicos, “para permanecer consistente com uma gestão fiscal sólida”.

    Se as pressões inflacionárias persistirem, o Banco Central deve continuar elevando a taxa básica de juros, diz a organização. A instituição observa que é esperado que a taxa Selic suba dos atuais 12,75% para 13,25% ao ano na próxima reunião monetária. “A taxa Selic deve permanecer em 13,25% até o início de 2023 e então diminuir lentamente ao longo do ano, à medida que os efeitos defasados dos aumentos recentes são finalmente sentidos”.

    Ainda, a OCDE incentiva que o Brasil continue com suas reformas “ambiciosas” para garantir sustentabilidade fiscal e evitar que taxas de pobreza subam. A organização também recomenda maior exploração das fontes de energia eólica e solar para complementar a hidrelétrica.

    OCDE corta perspectiva para PIB global, mas vê risco limitado de estagflação

    A guerra na Ucrânia tornou as perspectivas de crescimento muito mais fracas, embora a economia global deva evitar uma estagflação ao estilo dos anos 1970, disse a OCDE nesta quarta-feira, cortando suas previsões de crescimento e elevando suas estimativas de inflação.

    A economia mundial deverá crescer 3% este ano, muito menos do que os 4,5% esperados quando a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) atualizou suas previsões pela última vez em dezembro.

    O crescimento vai desacelerar ainda mais no próximo ano, diminuindo para 2,8%, em relação a uma previsão anterior de 3,2%, disse a OCDE em seu relatório Perspectivas Econômicas.

    “A guerra da Rússia está de fato cobrando um preço forte da economia global”, disse o secretário Geral da OCDE, Mathias Cormann, em uma conferência de imprensa.

    “O crescimento global será substancialmente menor com uma inflação mais alta e mais persistente”, disse ele, acrescentando que a OCDE não prevê uma recessão, embora haja numerosos riscos de queda para as perspectivas.

    Enquanto isso, qualquer alívio rápido do aumento dos custos é improvável, com a inflação devendo atingir um pico de 8,5% este ano nos países da OCDE antes de cair para 6,0% em 2023.

    Anteriormente, a OCDE esperava que a inflação atingiria um pico de 5% antes de baixar gradualmente para 3% em 2023.

    Apesar do crescimento menor e das perspectivas de inflação mais altas, a OCDE vê um risco limitado de “estagflação” como a verificada em meados dos anos 1970, quando o choque dos preços do petróleo desencadeou uma inflação desenfreada e o aumento do desemprego.

    Em particular, as economias desenvolvidas são muito mais impulsionadas pelos serviços do que nos anos 1970 e os bancos centrais têm mais liberdade para combater a inflação, independente dos governos mais preocupados com o desemprego.

    “Para mitigar o custo da inflação, o ônus terá que ser dividido entre lucros e salários, ou seja, empregadores e empregados negociando para dividir esse custo de forma justa e evitar uma espiral de preços salariais”, disse o economista-chefe da OCDE, Laurence Boone.

    *Com Reuters