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    Petrobras parece não ter pressa em atualizar preços do diesel e preocupa investidor

    A preocupação com o tema cresceu nos últimos dias diante da decisão da Rússia de suspender totalmente a exportação do combustível

    Fachada de prédio administrativo da Petrobras em Vitória (ES)
    Fachada de prédio administrativo da Petrobras em Vitória (ES) Diego Herculano/NurPhoto via Getty Images

    Fernando Nakagawada CNN

    São Paulo

    A Petrobras parece não ter pressa para atualizar preços dos combustíveis. Durante cerimônia em comemoração aos 70 anos da estatal, Jean Paul Prates, presidente da companhia, disse que a empresa pode ou não atualizar preços até o fim do ano.

    “Nós estamos agora analisando a possibilidade ou não de outro reajuste até o fim do ano, mas a gente ainda não tem isso como um dado”, disse o presidente da Petrobras.

    O discurso chamou atenção especialmente diante da alta recente do petróleo — que se aproximou de US$ 100 o barril na semana passada. Essa alta aumentou a diferença de preços praticados pela estatal no diesel.

    Cálculo da Associação Brasileira dos Importadores de Combustível (Abicom) mostra que atualmente o diesel vendido pela estatal está 16% abaixo da paridade de importação. Ou seja, 16% abaixo do custo para importar.

    A preocupação com o tema cresceu nos últimos dias diante da decisão da Rússia de suspender totalmente a exportação de diesel. Hoje, o Brasil é o segundo maior importador de diesel, russo atrás apenas da Turquia. Cerca de 40% do diesel vendido no Brasil tem origem russa.

    Sem conseguir vender para os Estados Unidos e Europa por causa dos embargos de Washington e Bruxelas, os vendedores russos têm oferecido desconto próximo de 20% a quem topar comprar o combustível do país. E importadores brasileiros têm aproveitado.

    Com a decisão de Moscou de impedir as exportações, os brasileiros terão de buscar outros fornecedores — como os Estados Unidos e países árabes — que não oferecem desconto e praticam os preços internacionais. Em outras palavras, o preço deve subir.

    No evento dos 70 anos da Petrobras, Jean Paul Prates citou rapidamente esse tema ao reconhecer que recentemente houve um “enxugamento” do diesel russo do mercado.

    O presidente da Petrobras, porém, voltou a defender a política de “abrasileirar” os preços da empresa. Isso, segundo ele, evita “inúmeras oscilações” no mercado doméstico.

    O discurso de Prates e a leitura de que não há pressa em atualizar preços pressionaram as ações da Petrobras que fecharam o dia em queda na contramão do petróleo, que subiu no exterior.

    A ação preferencial (PETR4) caiu 1,18% e fechou em R$ 36,73. Já a ação ordinária (PETR3) perdeu 0,44%, a R$ 33,97.