Prime Time

seg - sex

Apresentação

Ao vivo

A seguir

    Procura por crédito não engrena e Caixa tenta acelerar empréstimos para MPEs

    Dos R$ 110 bilhões disponibilizados pelo banco estatal para conter os efeitos econômicos da pandemia, apenas R$ 4,6 bilhões foram contratados até agora

    Movimentação em agência da Caixa Econômica Federal: empresários temerosos em contrair novas dívidas
    Movimentação em agência da Caixa Econômica Federal: empresários temerosos em contrair novas dívidas Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

    Thais Herédiada CNN

    A concessão de crédito para micro e pequenos empresários (MPEs) ainda não engrenou na Caixa Econômica Federal. Dos R$ 110 bilhões disponibilizados pelo banco estatal para conter os efeitos econômicos da pandemia, apenas R$ 4,6 bilhões foram contratados no período entre 2 de março e 11 de maio. Ou seja, apesar de serem os mais afetados pela crise, esses empresários ainda estão temerosos em se arriscar em contrair novas dívidas.

    “No início, a velocidade é menor mesmo, mas isso vai aumentar”, diz Celso Leonardo Barbosa, vice-presidente de Varejo da Caixa, ao CNN Business. “Sabemos que não vai ser suficiente e todos os bancos precisavam entrar nessa.” No caso do crédito rural, menos de 25% do valor disponibilizado foi concedido.

    A Caixa, em meados de março, anunciou um total de R$ 110 bilhões em linhas especiais de crédito para diversos segmentos, entre eles o das MPEs. Deste total, são R$ 60 bilhões disponíveis para capital de giro, R$ 40 bilhões para compra de carteiras, R$ 5 bilhões de crédito às santas casas e R$ 5 bilhões para crédito agrícola.

    Além desse valor, o banco estatal e o Sebrae fizeram uma parceria para oferecer uma linha de crédito de até R$ 7,5 bi com garantias do Fundo de Aval para as Micro e Pequenas Empresas (FAMPE). Mas o acesso a esta linha também está muito lento: desde o dia 24 de abril, foram fechados contratos com apenas 915 empresas, no valor de R$ 82,1 milhões. A Caixa espera alcançar até 110 mil contratos nas próximas semanas. 

    A Caixa anunciou a possibilidade de 90 dias de pausa no pagamento dos financiamentos concedidos. Essa modalidade, no entanto, tem atraído os empresários. O banco estatal fechou 90 mil contratos com MPEs no valor de R$ 13,9 bilhões. 

    Para tentar reverter o cenário de baixa concessão, Barbosa diz que a Caixa vai mudar o modelo de entrar em contato com a empresa e acelerar as avaliações das empresas para que os empréstimos cheguem mais rápido aos caixas delas. 

    “Muita gente se inscreveu para buscar financiamento para a folha de pagamentos e também da linha do Sebrae. Então, vamos poder fazer avaliação em massa sobre e os perfis dos negócios e das garantias que eles podem apresentar”, diz Barbosa. “A ideia é poder oferecer taxas de juros menores ainda se houver garantias. Isso democratiza mais o crédito.”

    As micro e pequenas empresas são as mais afetadas pelas quarentenas porque grande parte delas tem estrutura muito frágil, sem reserva e sem planejamento. Muitas combinam as contas do dono com as do negócio, o que dificulta a saúde financeira das empresas, ainda mais numa situação tão aguda quanto agora. Faltam também capital de giro e capacidade de manter empregos. 

    Uma pesquisa recente do Sebrae revelou que 60% dos donos de pequenos negócios que buscaram os bancos desde que o governo anunciou as medidas de auxílio tiveram crédito negado. O sistema financeiro tem corrido do risco de emprestar dinheiro a empresas muito vulneráveis, ameaçadas de falência pela crise provocada pelo novo coronavírus. A falta de garantias é também um fator que pesa nas concessões. 

    Outra pesquisa feita pela empresa SumUp revela que em alguns segmentos, como de estética e beleza, 88% das empresas não têm reserva de caixa. No setor de transportes, são 87% delas.

    Por causa disso, o governo tem sido pressionado para utilizar recursos do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) para ampliar as linhas de crédito dos bancos públicos para dar mais celeridade aos empréstimos. Ainda falta a sanção presidencial para o projeto sair do papel.

    No fim de abril, o Senado Federal aprovou, por unanimidade, o programa especial de crédito no valor de R$ 15,9 bilhões. A questão é que há ainda algumas divisões de pensamentos dentro da equipe econômica se essa seria a melhor saída e outras saídas são discutidas. Enquanto isso, o socorro às pequenas e médias empresas continuam em compasso de espera.

    com colaboração de André Jankavski