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    Rombo das contas públicas somou R$ 64,5 bi em setembro e dívida superou os 90%

    Esse é o maior valor da série histórica, iniciada em 2006. Em agosto o percentual era de 88,8%

    Anna Russi,

    do CNN Brasil Business, em Brasília



     

    O setor público consolidado registrou um buraco fiscal de R$ 64,559 bilhões em setembro. O valor é o maior rombo da série histórica, iniciada em 2001, para meses de setembro. O resultado também é pior que o registrado no mesmo mês do ano passado, quando o déficit foi de R$ 20,541 bi.

    Com o resultado primário de setembro, a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) também renovou recorde e superou a marca dos 90% do PIB em setembro. Esse é o maior valor da série histórica, iniciada em 2006. Em agosto o percentual era de 88,8%. 

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    Os dados foram divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira (30). O resultado do setor público consolidado inclui as contas do governo federal, dos governos regionais e das estatais federais. O déficit primário não inclui as despesas com juros e mostra que o valor arrecadado no mês passado não foi suficiente para cobrir as despesas. 

    Apenas as contas do governo central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) registraram déficit de R$ 75,148 bilhões no mês passado. Por outro lado,  em setembro,  as contas das empresas estatais e dos governos estaduais  e municipais ficaram positivas em R$ 628 milhões e R$ 9,966 bilhões, respectivamente. 

    Acumulado do ano

    De janeiro a setembro, o romboo fiscal já alcançou R$ 635,926 bilhões. Além de ser o pior resultado da série histórica, o número é bem superior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando o déficit era de R$ 42,491 bi. 

    O déficit nominal das contas públicas, que inclui os valores gastos com juros, alcançou R$ 103,419 bilhões em setembro. No acumulado do ano, o valor sobe para R$ 888,522 bilhões, equivalente a 16,7% do Produto Interno Bruto (PIB).

    Por incluir as despesas com juros, o resultado nominal sofre impacto direto das atuações do Banco Central na política monetária e cambial, como contratos de swap cambial e redução da taxa básica de juros, Selic, que está na mínima histórica de 2% ao ano. Sozinhos, os gastos públicos com juros somaram R$ 38,860 bilhões em setembro. A mesma despesa já totaliza R$ 252,596 bilhões no ano.

    Com o aumento dos gastos públicos por conta do combate ao vírus e a possibilidade de prorrogação de alguns programas emergenciais, a equipe econômica espera que o déficit primário do setor público seja de R$ 895,8 bilhões este ano. Em 2019, as contas do setor público consolidado tiveram o sexto ano consecutivo de déficit primário, negativo em R$ 61,87 bilhões, equivalente a 0,85% do PIB. 

    Dívida supera os 90% 

    Em setembro, o saldo da DBGG saltou de R$ 6,389 trilhões para R$ 6,533 tri, valor equivalente a 90,6% do PIB. O indicador serve como referência para as agências de classificação de risco, que define a atratividade de investimentos dos países. No ano passado, a DBGG encerrou em R$ 5,50 trilhões. 

    Por conta do aumento dos gastos públicos, que consequentemente vão elevar o endividamento público, a equipe econômica estima que a DBGG/PIB deve alcançar os 94% em 2020, dependendo do desempenho da atividade econômica. Em dezembro de 2019, o indicador estava em 75,8% do PIB.

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