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    Sem IPO, bolsa tem recorde de follow-on no primeiro trimestre

    Há quatro anos que bolsa brasileira não registrava uma oferta primária no período de janeiro a março

    Companhias que fizeram oferta subsequente no primeiro trimestre foram: BR Partners, 3Tentos, BRF, Arezzo, Equatorial Energia, Livetech da Bahia, Alpargatas e Allied
    Companhias que fizeram oferta subsequente no primeiro trimestre foram: BR Partners, 3Tentos, BRF, Arezzo, Equatorial Energia, Livetech da Bahia, Alpargatas e Allied Foto: Rahel Patrasso/Reuters

    Artur Nicocelido CNN Brasil Business

    em São Paulo

    A guerra na Ucrânia, a alta na taxa básica de juros e a grande quantidade de setores altamente descontados na bolsa brasileira reduziram o interesse das companhias em abrirem capital no primeiro trimestre de 2022.

    De acordo com um levantamento realizado pelo CNN Brasil Business com dados da B3, esta é a primeira vez em quatro anos que não tem registro de IPO no primeiro trimestre.

    Porém, é a primeira vez desde 2004, de acordo com a base histórica de dados da B3, que oito companhias realizam follow-on entre janeiro e março. São elas: BR Partners, 3Tentos, BRF, Arezzo, Equatorial Energia, Livetech da Bahia, Alpargatas e Allied.

    Especialistas explicam que, quando uma companhia apresenta os documentos para que a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) aprove a abertura de capital, o histórico financeiro entregue é de apenas dos últimos três anos; ou seja, caso uma empresa pretenda estrear na B3 em 2022, precisará oferecer os dados financeiros de até, no máximo, 2019.

    “Assim, não dá para saber se o resultado [financeiro] está bom ou não”, destaca Danielle Lopes, sócia da Nord Research.

    Porém, segundo os especialistas, a dinâmica do mercado de ofertas subsequentes é diferente, já que os acionistas conhecem o histórico das companhias. Assim, é possível realizar uma emissão e ter um interesse por parte dos investidores em comprar mais papéis e participar da oferta.

    De todo modo, Danielle questiona até que ponto vale a pena  fazer uma emissão, e a um preço muito baixo, pois, mesmo sendo um follow-on, ainda existe a preocupação com o cenário macroeconômico.

    “[Realizar uma oferta subsequente] pode sinalizar que a companhia não tem caixa suficiente para se bancar então é precisando realizar uma operação em bolsa, mesmo com as atuais questões inflacionárias e de juros, podendo ser taxada como ‘mal gerida’”, diz a sócia da Nord Research.

    Ela afirma que boa parte das empresas se programaram e tomaram crédito mais barato para seguir com as operações, então, “é preciso entender até que nível faz sentido fazer um follow-on ou um IPO neste momento”, avalia Danielle.

    Pedidos e desistências

    A invasão da Ucrânia por parte da Rússia e a taxa de juros também ajudaram a aumentar as solicitações de desistência da abertura de capital: 39 companhias optaram por cancelar suas operações.

    Segundo levantamento realizado pelo CNN Brasil Business com dados da CVM, esta é a primeira vez desde que a bolsa de valores se fundiu com a Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos (CETIP), em 2017, que mais de 36 companhias desistem de abrir capital ou emitir mais papéis.

    Futuro

    Os especialistas têm uma visão positiva para o segundo semestre de 2022 com relação à estreias na bolsa brasileira. Mas destacam que a quantidade de pedidos de análise deve continuar baixa nos próximos meses até que o cenário macroeconômico melhore significativamente.

    Vitor Saraiva, responsável pela área de mercado de capitais da XP, diz que os principais fatores político-econômicos que podem atrapalhar são as altas nas taxas de juros,  a inflação globalizada, a volatilidade mais expressiva, os conflitos internacionais e as maiores incertezas no cenário eleitoral doméstico.

    Para Danielle Lopes, da Nord Research, o mercado pode ficar mais otimista após serem definidos os nomes para presidente e equipe econômica da próxima gestão. As eleições estão marcadas para outubro.