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    Traders podem ter sido avisados com antecedência de ataque a Israel e lucrado com ele, revela estudo

    Fundo de investimento ligado a empresas do país teve movimentação incomum dias antes do primeiro ataque do Hamas

    Estudo foi realizado por professores de direto das Universidades de Columbia e de Nova York (NYU)
    Estudo foi realizado por professores de direto das Universidades de Columbia e de Nova York (NYU) REUTERS/Amanda Perobelli

    Matt Eganda CNN

    em Nova York

    As apostas sobre o valor de empresas israelenses dispararam dias antes dos ataques do Hamas, em 7 de outubro, o que sugere que alguns traders podem ter tido conhecimento antecipado do ataque terrorista e lucrado com ele. É o que revela uma pesquisa realizada por professores de direto das Universidades de Columbia e de Nova York (NYU), divulgada nesta segunda-feira (4).

    O estudo preliminar detalha um aumento “significativo” e “incomum” nas vendas a descoberto do fundo mais popular ligado a empresas de Israel (MSCI Israel Exchange Traded Fund) cinco dias antes dos ataques. A venda a descoberto é uma forma de apostar contra o valor de um título.

    Esse movimento “excedeu em muito” a atividade de vendas a descoberto que ocorreu durante a pandemia de Covid-19, a guerra Israel-Gaza de 2014 e a crise financeira global de 2008, concluiu a pesquisa.

    “Nossas descobertas sugerem que os traders estavam informados sobre os próximos ataques lucraram com esses eventos trágicos”, escreveram os autores.

    Um artigo “chocante”

    Jonathan Macey, professor da Faculdade de Direito de Yale, disse à CNN que o artigo é “chocante”.

    “A evidência de que traders informados lucraram ao antecipar o ataque terrorista de 7 de outubro é forte”, disse Macey.

    “Os reguladores parecem não ter a capacidade de descobrir as entidades responsáveis por esta negociação, o que é lamentável”, acrescentou.

    Pelo menos 1,2 mil pessoas foram mortas em Israel em 7 de outubro, quando mais de 1,5 mil combatentes do Hamas atacaram Israel. Algumas ainda são mantidas como reféns.

    O artigo, intitulado “Trading on Terror?”, foi escrito pelo ex-comissário da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) Robert Jackson Jr., que atualmente é professor na NYU, e pelo professor de direito de Columbia, Joshua Mitts.

    A investigação concluiu que, em 2 de outubro, apenas cinco dias antes do ataque do Hamas, “quase 100% do volume de negociação fora da bolsa no ETF MSCI Israel consistia em vendas a descoberto”.

    “Dias antes do ataque, os traders pareciam antecipar os acontecimentos que viriam”, escreveram os professores.

    Mitts, um dos autores do artigo, disse à CNN em entrevista que, devido à natureza limitada dos dados comerciais públicos, ele acredita que é “altamente provável” que haja mais negociações acontecendo nos bastidores.

    “Estamos vendo apenas a ponta do iceberg”, disse Mitts. “Há muito mais por aí que não podemos captar, mas que os reguladores deveriam estar atentos”.

    Mitts acrescentou que ele e Jackson, seu coautor, estão “muito confiantes” de que a atividade comercial é “excepcional” e “extraordinária” quando comparada com mais de uma década de negociação e “não é o produto da negociação normal”.

    Atualmente, os autores não sabem a localização das partes que realizam negociações e se os traders têm ligação a empresas financeiras, entidades governamentais ou organizações terroristas específicas. E pedem cautela antes de tirar tais conclusões.

    “Associá-lo ao Hamas é muito especulativo e não estamos sugerindo isso”, disse Mitts. Ele acrescenta que há uma ampla gama de possibilidades, inclusive a de alguém ter ”ouvido algo” e agido de acordo.

    A SEC afirmou que “não comenta a existência ou inexistência de uma possível investigação”.

    A Autoridade de Valores Mobiliários de Israel não respondeu ao pedido de comentários da CNN, mas o regulador israelense disse à agência Reuters que o assunto é conhecido e está sob investigação por todas as partes relevantes.

    Bill Bagley, porta-voz da Autoridade Reguladora da Indústria Financeira (FINRA), disse à CNN que o regulador não comenta se está ou não conduzindo uma investigação.

    Conclusões preliminares

    Os professores destacaram que as conclusões do estudo são “preliminares” e que não conseguem ligar comerciantes específicos a estas transações, muito menos determinar quais eram as suas fontes de informação subjacentes.

    No entanto, os investigadores observam que os reguladores dos EUA, incluindo a SEC e a FINRA, têm acesso a dados não públicos que podem ajudar os investigadores a compreender por que e como os mercados agiram antes do dia 7 de outubro.

    Nos dias anteriores ao ataque, as apostas contra títulos israelenses negociados na Bolsa de Valores de Tel Aviv “aumentaram dramaticamente”, afirmou a pesquisa.

    Os investigadores descobriram, por exemplo, que entre 14 de setembro e 5 de outubro, houve 4,4 milhões de novas ações vendidas a descoberto no Bank Leumi, um dos maiores bancos de Israel. Os preços das ações do Bank Leumi caíram 23% entre 4 e 23 de outubro.

    No entanto, não se registou qualquer aumento correspondente nas vendas a descoberto em empresas isralenses negociadas nas bolsas dos EUA, embora os autores sugiram que isso pode ter de dado devido a algumas empresas de defesa de Israel terem beneficiado de uma maior procura na sequência dos ataques e algumas terem uma grande presença internacional.

    A investigação revelou ainda um aumento nos contratos de opções de curto prazo sobre ações de empresas de Israel negociadas na bolsa dos EUA.

    Isto estava ligado a várias negociações em bloco de opções, afirmaram os professores, “sugerindo que um pequeno número de atores pode ter estado por trás desta negociação de opções”.

    A publicação concluiu que o aumento “substancial” nas vendas a descoberto na Bolsa de Valores de Tel Aviv antes do ataque de 7 de outubro não aconteceu antes queda dos mercados que ocorreu após a promulgação da reforma judicial em julho de 2023, que desencadeou diversos protestos em Israel.

    “No seu conjunto, as nossas evidências são consistentes com traders informados que antecipam e lucram com o ataque do Hamas”, escreveram os autores.

    Charles Whitehead, professor da Cornell Law School, classificou o estudo como “interessante, mas preliminar”.

    Whitehead observou que algumas das negociações podem ser “informadas – com base numa avaliação da probabilidade de um evento futuro, como um ataque terrorista – mas algumas podem simplesmente refletir atividades algorítmicas ou outras atividades comerciais que refletem, e amplia, mudanças de preço que estão ocorrendo sem qualquer conhecimento específico do evento futuro.”

    O professor argumentou que esta é uma área que merece “exame minucioso” como forma de ajudar a antecipar eventos futuros e “cortar a capacidade de terroristas e outros, com informação privilegiada, de lucrar com atividades terroristas”.

    Veja também: Tendência para consumo de Diesel é de crescimento

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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