Cinemateca reabre nesta sexta-feira com mostra dedicada a Zé do Caixão

Após um ano e meio fechada devido a "alagamento, incêndio e um processo de abandono", a Cinemateca reabre "com novas expectativas", afirmou diretora técnica da entidade

Léo LopesIsabella Fariada CNN

em São Paulo

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Fechada desde 2020, a sede da Cinemateca Brasileira reabre suas portas, nesta sexta-feira (13), em São Paulo, para uma mostra dedicada ao falecido cineasta José Mojica Marins, famoso pelo personagem “Zé do Caixão”.

A Cinemateca estava fechada desde agosto de 2020, e, nesse período, enfrentou um alagamento e um incêndio no galpão com acervo da entidade, na zona oeste da capital paulista, além de um longo entrave jurídico sobre a gestão da instituição.

Com sessões nos dias 13, 14 e 15 de maio, a mostra “O Cinema Sem Medo de Mojica” começa nesta sexta-feira com a exibição de um filme inédito do ator de Zé do Caixão. O média-metragem “A Praga” (1980) foi restaurado e finalizado pelo produtor Eugenio Puppo.

Ele encontrou as latas do filme perdidas no escritório do cineasta falecido, quando organizava, em 2007, uma retrospectiva de Mojica, que foi o autor do primeiro filme de terror brasileiro: “À Meia-Noite Levarei Sua Alma” (1964).

Os ingressos para a mostra são gratuitos, e distribuídos ao público uma hora antes das sessões.

“Os filmes do Mojica, neste momento, passam por trabalho de recuperação, sob coordenação do Paulo Sacramento, também parceiro da instituição. A obra foi preservada ao longo de anos, então poder abrir com esse recorte filmográfico e tendo como mote a apresentação do filme que foi resgatado, passando por longo processo de recuperação, tem tudo a ver com este momento da Cinemateca”, disse a diretora técnica Gabriela de Sousa Queiroz.

Ao longo do final de semana, filmes “pouco exibidos” de Mojica serão parte da mostra.

““Encarnação do Demônio”, que fecha saga da personagem Zé do Caixão; “Trilogia de Terror”, filme em episódios que codirigiu com Ozualdo Candeias e Luís Sérgio Person; “O Despertar da Besta”, com seu terror psicodélico e olhar cínico sobre jogos de poder; e “Exorcismo Negro”, um pesadelo metalinguístico em que criador enfrenta sua criatura”, informa a Cinemateca.

A diretora técnica afirma que, após um ano e meio fechada “devido a alagamento, incêndio e um processo de abandono”, a Cinemateca reabre “com novas expectativas”.

Em novembro de 2021, a Secretaria Especial da Cultura, do Ministério do Turismo, selecionou a Sociedade Amigos da Cinemateca (SAC) em edital, para celebração de contrato de gestão da instituição. A entidade é responsável pela execução de atividades de guarda, preservação, documentação e difusão do acervo audiovisual da produção nacional por meio da gestão, operação e manutenção da Cinemateca.

A nova diretora do espaço é a professora titular aposentada da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP), Maria Dora Mourão. Além da diretora técnica Gabriela de Sousa Queiroz, assume a diretoria administrativa e financeira Marco Antônio Alves. O mandato é de quatro anos.

A gestão da Cinemateca era feita pela Associação de Comunicação Recreativa Roquette Pinto (Acerp), organização social baseada no Rio de Janeiro que já fazia a gestão da TV Escola para o governo federal, desde 2018. O contrato se encerrou no final de 2019 e não foi renovado.

Em agosto de 2020, todos os funcionários ligados à Acerp foram demitidos e o governo federal retomou a gestão, prometendo o lançamento de um novo edital para escolha de uma nova entidade gestora – o que só aconteceu na manhã seguinte ao incêndio, em julho de 2021.

A demora na publicação das regras para o processo vinha sendo criticada pelo setor audiovisual. Como revelou a CNN, o Ministério Público Federal chegou a questionar o que chamou de “estrangulamento financeiro e abandono administrativo” da instituição e alertou o governo, em audiência no dia 20 de julho, da possibilidade de incêndio nas instalações da Cinemateca.

* João Luiz Sampaio contribuiu para esta reportagem

 

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