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    Mike Love sobre os Beach Boys: “Fomos afortunados, mas não sem sofrimento”

    Grupo sucesso nos anos 1960 ganha documentário no Disney + abordando rivalidades internas e disputa com Beatles

    Mike Love comenta papel nos Beach Boys
    Mike Love comenta papel nos Beach Boys Jason Kempin/Getty Images// Michael Ochs Archives/Getty Images

    Nicoly Bastosda CNN

    O documentário “The Beach Boys” chega no catálogo do Disney+ nesta sexta-feira (24). Ele acompanha a banda norte-americana, sucesso nos anos 1960, desde as origens familiares humildes até o imenso estrelato.

    Formada em Hawthorne, Califórnia, em 1961, a banda The Beach Boys é tida como uma das mais influentes na história do rock. Emplacou dezenas de canções nas paradas de sucesso, como as clássicas “Wouldn’t It Be Nice”, “Sloop John B”, e “God Only Knows”, e teve discos recordistas de venda.

    Seus integrantes foram inicialmente formados por membros de uma mesma família, os irmãos Brian, Carl e Dennis Wilson e seu primo Mike Love, além de um amigo próximo, Al Jardine. Posteriormente, ainda recebeu Bruce Johnston, Rick Fataar, David Marks e Blondie Chaplin.

    Brian Wilson, Mike Love, Al Jardine, David Marks e Bruce Johnston estão no documentário. Carl e Dennis Wilson faleceram em 1998 e 1983, respectivamente.

    “O documentário é de extrema importância, porque os Beach Boys são uma instituição musical há seis décadas e, ainda assim, nunca houve um documentário tão abrangente quanto este. Então é algo muito especial porque, você sabe, nós fizemos uma vida inteira de música e esta produção foca muito nas origens do grupo, em seu início real e nas primeiras décadas”, diz Mike Love em entrevista à CNN.

    Ao longo da conversa, Mike falou sobre alguns dos aspectos abordados no novo documentário: sua “rivalidade” com Brian Wilson, o “embate” com os Beatles e a importância de manter o legado dos Beach Boys mesmo décadas depois de seu estrelato.

    “Brian foi um gênio, mas eu fui a essência”

    Ao longo dos anos, Brian e Mike foram nutrindo entre si uma certa rivalidade e virando antagonistas, algo que o documentário também busca aprofundar. Mais introvertido, Brian era considerado a “cabeça” do grupo, enquanto quem fazia sucesso nos palcos era Mike.

    Mais extrovertido que o primo, Mike diz que reconhece as diferenças e explica que elas foram essenciais para o grupo, apesar de, ainda, serem diferenças.

    “Meu primo Brian é famoso por suas habilidades brilhantes em gravação. Mas eu também dei uma mão. Tive um grande papel nas apresentações ao vivo, eu era a essência nos palcos, era a personificação do efeito que nossa música tinha no público”, diz ele.

    “Eu também me reunia com a agência e os empresários para decidir coisas burocráticas, como quando fazer a turnê, locais e quais shows de abertura às vezes. Tivemos muitas aberturas fantásticas ao longo dos anos, como Billy Joel e Buffalo Springfield.”

    “Também tive meu papel em escrever as músicas com o Brian. Escrevemos ótimas músicas juntos e elas ainda são tocadas hoje. E mesmo que algumas pessoas não estejam mais conosco, tristemente, temos ótimos artistas que recriam essas músicas e a resposta do público ainda é fenomenal. Muitas pessoas ainda curtem nossas músicas, é como uma celebração de vida. É realmente tão positivo e tão edificante, e literalmente “Boas Vibrações”, completa, se referindo à música “Good Vibrations”, lançada em 1966.

    “Fomos rivais, mas também éramos fãs uns dos outros”

    Em determinado momento, o documentário se aprofunda na “rivalidade” existente entre os membros do grupo californiano e os Beatles, questionando se ambos teriam sido tão grandiosos se não tivessem visto na “competição” entre si um estímulo para construir a carreira.

    A produção traz relatos e opiniões de Paul McCartney, um dos integrantes do famoso grupo de Liverpool. Os dois grupos, formados na mesma época, disputavam constantemente o topo das principais paradas musicais.

    “Foi uma competição porque eles passavam muito no rádio. Nós estávamos muito no rádio. Quando se tratou de ‘Good Vibrations’, na noite de 1966, votamos que eles alcançariam o primeiro lugar na Grã-Bretanha. No fim, nós éramos o grupo número um na Grã-Bretanha e os Beatles em segundo. Ninguém teve sucesso enquanto grupo como os Beatles, mas os Beach Boys se saíram muito bem”, reflete Mike Love.

    O músico, então, detalhou uma viagem que fez com os Beatles em 1968, para a Índia. Coincidindo com seu aniversário, a banda de Liverpool teria feito até mesmo uma música especial para celebrar a data.

    “Foi uma música personalizada de parabéns. De qualquer maneira, foi uma ligação. Foi uma ótima música. Em outro momento me encontrei ainda com Paul McCartney na mesa da sala de jantar e, durante o café da manhã, ele tocou para mim em seu violão preto. Nós éramos os únicos lá”, conta ele. “Havia um bom relacionamento com os Beatles. Fomos rivais, mas também éramos fãs uns dos outros”, aponta ele.

    “A verdadeira história dos Beach Boys é a música”

    “Através do documentário, os fãs dos Beach Boys saberão um pouco mais sobre nós, conhecerão as origens e o funcionamento interno para que o grupo funcionasse”, conta Love. Segundo ele, a produção ainda apresenta filmagens que nunca foram vistas, de coisas sobre os primeiros anos da banda.

    “Os fãs vão gostar, mas acho que as pessoas que não são realmente familiarizadas com os Beach Boys também vão achar isso interessante. Os Beach Boys foram muito abençoados, muito afortunados e muito bem-sucedidos, mas não sem sofrimento, problemas e dificuldades ao longo do caminho, porque somos seres humanos e, como todos os seres humanos, há problemas internos.”

    “Mas a verdadeira história dos Beach Boys é a música, o poder que a música tem em elevar as pessoas e dar-lhes um pouco de paz e positividade no meio de todo o estresse do mundo e da vida. E isso é o que eu acho que é a coisa mais significativa sobre a nossa música. Sobre o que fizemos todos os dias que estivemos no palco. Foi edificante para as pessoas, pois as levou a um lugar muito mais feliz do que o que você vê na TV ou ouve no rádio”, concluiu.