Diretoria da CBF afasta Caboclo por mais 60 dias por denúncias de assédio

Essa é a primeira prorrogação do afastamento, realizado após acusações feitas contra o presidente da entidade

Iuri Corsini, da CNN, no Rio de Janeiro

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Em mais um revés sofrido por Rogério Caboclo, a diretoria da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) decidiu afastá-lo por mais 60 dias, em decorrência das denúncias de assédio moral e sexual feitas por dois funcionários da entidade.

Esta é uma decisão complementar àquela tomada pela Comissão de Ética, que impôs o afastamento de Caboclo por 30 dias, ocorrida no dia seis de junho. Assim, essa nova medida foi tomada por uma instância superior a da primeira. 

A decisão da diretoria, segundo interlocutores, foi baseada no artigo 143 do estatuto da entidade. O prazo de 60 dias começa a contar a partir desta sexta-feira (2).

De acordo com uma fonte da CBF ouvida pela CNN, não houve o temor de que Caboclo voltasse ao comando da entidade antes de ser julgado pela Comissão de Ética da CBF. Segundo a fonte, a diretoria está “apenas cumprindo sua missão institucional estatutária com base em sua convicção”.

A decisão, ocorrida em reunião realizada pela diretoria da CBF na noite de quinta-feira (01), aconteceu horas depois de Caboclo ter acusado Marco Polo Del Nero, ex-presidente da entidade, que o antecedeu no cargo, de oferecer R$ 12 milhões para que uma funcionária não denunciasse assédio na CBF.

Procurada, a assessoria de Rogério Caboclo informou que o cliente deve se pronunciar ainda na manhã desta sexta-feira (02) sobre o novo afastamento. Procurada, a defesa de Del Nero, até o momento, não se pronunciou sobre as acusações feitas por Caboclo.

Presidente da CBF, Rogério Caboclo
Presidente da CBF, Rogério Caboclo
Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo

Denúncias

A primeira denúncia formal de assédio moral e sexual contra o presidente da instituição, Rogério Caboclo foi enviada à Comissão de Ética da CBF e à Diretoria de Governança e Conformidade, no dia quatro de junho.

A acusação foi feita por uma funcionária que ocupa um cargo de confiança e trabalha há cerca de nove anos na CBF. No documento, apresentado pelo escritório Ideses Advogados, que representa a autora da ação, a defesa afirma ter provas dos fatos narrados e pede que o dirigente seja investigado e afastado. Os advogados também pedem investigação no judiciário estadual.

Já no dia 26 de junho, uma segunda denúncia de assédio moral foi encaminhada à Comissão de Ética da CBF pelo diretor de Tecnologia da Informação da entidade, Fernando França. Segundo o teor da denúncia, o diretor teria sofrido injúria, ameaças e difamações, feitas por Rogério Caboclo.

Sobre a primeira acusação, os advogados do presidente afastado têm até o dia sete de julho para apresentar a defesa escrita em relação ao processo que tramita na Comissão de Ética.

Além disso, há um processo investigatório em andamento no Ministério Público do Trabalho (MPT), que apura as denúncias de assédio. O processo corre em sigilo.

Em nota emitida nesta sexta-feira, Caboclo afirmou que “recebe com a mais absoluta indignação e inconformismo a decisão da diretoria” e chamou a medida de “manobra absurda, ilegal, que contraria por completo o estatuto e os regulamentos da entidade e ainda viola leis e a Constituição Federal do Brasil nos seus mais elementares ensinamentos.”

“Quantos às acusações que imputaram contra Rogério Caboclo e que serviram como base para a nula decisão de hoje, o presidente da CBF está certo da prevalência de sua defesa, que conta com pareceres de seis eminentes juristas pátrios”, finalizou.

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