Rayssa Leal faz história no skate: aos 13 anos, Fadinha é prata nas Olimpíadas

Mais jovem atleta brasileira da história dos Jogos, ela subiu ao pódio entre duas japonesas na estreia da modalidade nos Jogos

Paulo Junior, colaboração para a CNN

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Rayssa Leal, 13, chegou a Tóquio como a brasileira mais jovem da história das Olimpíadas 2020. Era pouco. A maranhense conquistou a medalha de prata no skate street na madrugada desta segunda-feira (26), entrando para a história como a atleta mais nova a subir num pódio defendendo o Brasil.

Conhecida também como Fadinha, pela fantasia que usava em seu início no esporte, ela terminou no meio de um pódio com duas japonesas. Momiji Nishiya, também de 13 anos, levou o ouro com 15.26, enquanto Funa Nakayama, de 16, terminou com o bronze com 14.49. A anfitriã mais bem cotada, Aori Nishimura, atual campeã mundial e número 3 do mundo, terminou no oitavo lugar.

Rayssa, que chegou a liderar a final e terminou no segundo lugar com nota 14.64, é uma das principais personagens do Brasil em Tóquio. Em 2015, ela ficou muito conhecida quando um vídeo em que andava de skate vestida de fada rodou as redes sociais e a levou a programas de televisão. No Japão, se divertiu passeando pela Vila e brincando com a lenda do esporte, Tony Hawk, que sempre dá muita atenção à skatista brasileira.

Para chegar aos Jogos com 13 anos, obviamente ela é resultado de um sucesso muito rápido. Aos 11, foi campeã brasileira, mesma temporada em que se tornou a mais jovem a ganhar uma etapa do circuito mundial. Também chegou ao vice-campeonato do mundo em 2019.

A ida para a final olímpica foi de alegria para Rayssa, mas frustrante para as outras brasileiras, que ficaram fora: Pâmela Rosa, 22, atual número 1 do ranking e campeã mundial em 2019, e Leticia Bufoni, 28, maior vencedora dos X Games e um dos grandes nomes da história. 

Na madrugada anterior, Kelvin Hoefler conquistou a prata também no street, primeira medalha do Brasil em Tóquio e primeiro pódio da história do skate olímpico. O ouro ficou com o anfitrião Yuto Horigome.

Diversão da Fadinha

“Estou muito feliz porque pude representar todas as meninas, as que não foram para a final, a Pâmela e a Leticia, e as outras meninas do skate do Brasil. Realizei o sonho de estar aqui”, disse Rayssa ao fim da disputa. “A gente pode provar que não é só para meninos”.

Perguntada sobre a forma com que dançava e brincava mesmo durante uma final olímpica, Rayssa seguiu com a naturalidade de sempre. “Eu estava me divertindo, no momento mais especial da minha vida. Quando eu fico feliz, eu fico animada, me divertindo”.

“Faz o que tu ama, se diverte, fica animado sempre… Eu já falei muitas vezes, mas é só diversão”, finalizou já com a medalha no peito.

Alto nível

As análises prévias à competição imaginavam que as três brasileiras terminariam a disputa nas primeiras posições, conquistando medalhas ou bem próximas do pódio. É assim no atual ranking mundial – Pâmela em primeiro, Rayssa em segundo e Leticia em quarto -, e também foi assim no Mundial de 2021, com Rayssa, Pâmela e Leticia fechando respectivamente em terceira, quarta e quinta.

Mas as rivais se apresentaram bem, e não coube toda a equipe brasileira na decisão. O destaque foi para as cinco asiáticas na final, com três japonesas seguidas por uma chinesa e uma filipina. Brasil, Holanda e Estados Unidos fecharam o top-8.

Leticia ainda tinha uma chance na última manobra, mas escolheu um movimento cuja pontuação não foi suficiente. Ela terminou no nono lugar com 10.91, contra 11.77 da oitava, e admitiu a pressão de defender o país nos Jogos.

Leticia Bufoni, brasileira do skate nas Olimpíadas
Leticia Bufoni, brasileira do skate street nas Olimpíadas
Foto: Ben Curtis/AP

“Eu achei que aquela manobra faria final, infelizmente não foi. Mas estou muito feliz de estar aqui nas Olimpíadas. Para a gente está sendo incrível essa experiência. A pressão existe, na prova minhas pernas estavam tremendo. Geralmente eu fico nervosa, mas hoje foi diferente, sim”, disse na saída da pista.

Pâmela fechou um posto abaixo, no décimo lugar, também sem conseguir alcançar os patamares que a fizeram se tornar uma das melhores do circuito. Ela fechou com uma nota de 10.06, depois de errar três manobras e na última descida receber apenas 2.42. Ela até terminou sua bateria entre as oito, mas já parecia claro que seria difícil se manter quando chegassem as próximas competidoras.

Depois da prova, ela publicou em suas redes sociais uma foto do tornozelo visivelmente machucado. “Mais uma vez enfrentei uma competição lesionada, mas essa lesão não me parou, fui até onde consegui! Agradeço imensamente todas as energias positivas, toda torcida e todo apoio.

Pamela Rosa, brasileira do skate, nas Olimpíadas
Com uma lesão, Pâmela Rosa não conseguiu chegar na final
Foto: Ben Curtis/AP

No skate street, a atleta vai para a pista sete vezes. São duas voltas e mais cinco manobras, e quatro das sete notas dão na pontuação final, com as três piores descartadas.

Sobre as notas, vale um registro para quem acompanhou a disputa masculina na véspera. Os números absolutos são menores porque os árbitros usam a mesma referência para os movimentos, não considerando os contextos das diferenças entre homens e mulheres. Como cada detalhe vale uma pontuação específica e as manobras dos homens são mais complexas nas combinações, eles acumulam mais pontos a cada vez que deslizam num corrimão, por exemplo.

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