Isaquias avança às semifinais da canoagem e segue em busca de sua quarta medalha

Brasileiro terminou no quarto lugar na competição por duplas, mas agora é um dos candidatos ao pódio na competição individual

Paulo Junior, colaboração para a CNN

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Isaquias Queiroz, principal nome da canoagem brasileira, se classificou na noite desta quinta-feira (5) para as semifinais da categoria C-1 1000m nas Olimpíadas de 2020, prova em que foi medalha de prata nos Jogos do Rio de Janeiro, há cinco anos. Tanto as semis quanto a grande final acontecem na noite de sexta (6).

Isaquias, 27, venceu a segunda bateria eliminatória, onde os dois primeiros colocados avançavam diretamente para o dia seguinte — os outros têm de passar pelas quartas de final. O brasileiro é um dos favoritos ao ouro depois de terminar no quarto lugar na competição por duplas no início da semana.

“Eu fui bem com Jacky no C-2, quarto lugar não é para qualquer um, mas hoje eu falei para o treinador que ia sair bem, depois baixar e deixar todo mundo vir. E no final mostrar quem sou eu, o atual campeão mundial e que vai brigar pela medalha de ouro. Ou prata ou bronze, o que vier. No final eu quis deixar o chinês [Liu Hao] chegar mais perto para ver o que ele tinha no final. Eu quis mostrar para todo mundo que estou vivo na competição”, disse Isaquias ao fim da prova, em entrevista ao Sportv.

‘Casca grossa’

“Nós baianos somos assim, casca grossa. Passamos por muitos desafios, a gente é muito apegado, sente muito para sair da terra. São 12 anos de seleção, longe da Bahia, muitas coisas eu passei. A gente acaba sabendo sofrer para se recuperar em seguida. Agora é analisar o vídeo, ver como foi a remada para fazer uma estratégia boa na semifinal”, completou.

Na final do C-2 1000m, na noite de segunda-feira, o time brasileiro, formado por Isaquias e Jacky Godmann, acabou superado pelas canoas de Cuba, China e Alemanha. Nesta prova, o Brasil também havia ficado em segundo lugar em 2016, na parceria de Isaquias com Erlon Silva, que com uma lesão no quadril acabou não viajando a Tóquio.

A meta de Isaquias antes dos Jogos era de se tornar o maior medalhista olímpico brasileiro, alcançando as cinco de Robert Scheidt e Torben Grael. Ele chegou ao Japão com duas pratas e um bronze do Rio — o único atleta do país com três medalhas em uma só edição. Porém, sem a conquista nas duplas, agora ele só pode chegar a quatro, igualando Serginho, do vôlei, e Gustavo Borges, da natação.

Isaquias é o atual campeão mundial da prova, primeiro colocado em 2019, na Hungria. O atual bicampeão olímpico e grande adversário de Isaquias nos últimos anos, o alemão Sebastian Brendel, está na disputa depois de ser quarto no Mundial e já ter uma medalha de bronze em Tóquio, nas duplas. Ele surpreendeu ao ser só o terceiro colocado em sua bateria eliminatória e então precisar ainda tentar uma vaga pelas quartas de final, quando teve de se esforçar no fim para ganhar sua bateria e avançar na competição.

O francês Adrien Bart, terceiro colocado no Mundial, os chineses Liu Hao e Zheng Pengfei, que levaram a prata nas duplas em Tóquio, o tcheco Martin Fuksa, quinto no Mundial e quinto no Rio, e o húngaro Balazs Adolf, que venceu a bateria onde estava Brendel, são alguns outros nomes para ficar de olho.

Jacky Godmann fora das finais

O outro brasileiro na disputa, Jacky Godmann, ficou apenas na quarta posição em sua bateria eliminatória e precisou tentar a classificação nas quartas de final. Mas terminou no sexto lugar e se despediu dos Jogos Olímpicos. Aos 22 anos, ele deixa Tóquio com o quarto lugar no C-2 1000m, a prova em dupla ao lado de Isaquias.

“Eu tenho muito o que melhorar no individual ainda. O foco aqui era o C-2 [duplas]. Estou feliz por ter ficado em quarto, mas não estou feliz pelo C-1 [individual] e também não estou feliz pela medalha que não veio. Mas preciso melhorar muito. O que levo do Isaquias é um cara muito especial para mim, um irmão que ganhei no esporte. Espero que ele faça uma boa prova e pegue essa medalha para a gente”, comentou Jacky.

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