Rogério Caboclo entra com petição para voltar ao comando da CBF

Presidente afastado é alvo de segunda denúncia por assédio moral

Pauline Almeida, Iuri Corsini e Thayana Araujo, da CNN, no Rio de Janeiro

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O presidente afastado da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Rogério Caboclo, entrou com uma petição para tentar voltar ao cargo. Ele pediu à Comissão de Ética que revogue a suspensão, determinada após ser denunciado por uma funcionária da entidade por assédio sexual e moral.

Enquanto busca retomar a presidência, hoje ocupada interinamente pelo coronel Antônio Carlos Nunes, Caboclo é alvo de uma nova denúncia de assédio moral, confirmada neste sábado (26) por fontes da Comissão de Ética. O relato partiu de um diretor da entidade e o fato também será apurado. Internamente, Caboclo acumula agora duas acusações de assédio.

A petição de Rogério Caboclo, assinada pelos advogados Fernanda Tórtima, Felipe Maranhão e Wladimyr Camargo, argumenta que a suspensão por 30 dias, anunciada no último dia 6 de junho, não tem previsão legal. Segundo o documento, “não há qualquer possibilidade de que prevaleça, dada sua insubsistência e flagrante falta de previsão normativa para sua imposição.”

A petição descreve que a Comissão de Ética do Futebol Brasileiro (CEFB) fundamentou o afastamento com base em artigos “referentes a prerrogativas exclusivas de outros poderes da entidade”.

“Em outras palavras, seja no Estatuto da CBF, seja no CECFB, não existe qualquer norma que disponha acerca da existência do instituto do afastamento compulsório, provisório e temporário, conforme consta da decisão atacada nesta petição, ou muito menos o tenha previsto como prerrogativa da CEFB”, alegam os advogados.

Presidente da CBF, Rogério Caboclo
Presidente da CBF, Rogério Caboclo
Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo

A defesa também argumenta que a suspensão se mostra desnecessária para garantir o andamento do processo. “A denunciante já apresentou provas e prestou depoimento, tendo sido também realizada a oitiva de diversas testemunhas – o que apenas ratifica ser absolutamente desnecessária a medida de afastamento”, diz um trecho.

O terceiro argumento apresentado na petição é a “situação de acefalia no comando da CBF”, com a “prática de desmandos internos”. A defesa alega que prejuízos já registrados são as ausências de jogadores na Seleção Brasileira e na Olímpica. De acordo com o documento, Rogério Caboclo estaria envolvido diretamente na negociação para a liberação dos atletas.

Sobre as declarações presentes na petição, com críticas à gestão atual da CBF, a CNN fez contato com a assessoria de imprensa da entidade, que informou que não faz comentários sobre o processo no Conselho de Ética.

Veja a nota divulgada pela assessoria de Rogério Caboclo:

O presidente da CBF, Rogério Caboclo, considera ridículas as acusações mentirosas feitas pelo diretor de Tecnologia da Informação da entidade, Fernando França. Caboclo nunca seria capaz de pedir para ele nem para ninguém para gravar adversários ou qualquer outra pessoa.

É fato notório que foram os opositores de Rogério Caboclo os responsáveis pelas escutas ilegais. Os vazamentos seletivos de trechos de conversas gravadas desde 2018 somente prejudicaram o próprio presidente afastado, logo depois da deflagração de um golpe para a sua saída da presidência. Se confirmada a informação da reportagem, Caboclo tomará todas as medidas criminais e cíveis contra o diretor.

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