Junta militar liberta centenas de prisioneiros em Mianmar

Não houve comunicado oficial com o número de pessoas soltas, mas ativistas falam em ao menos 15 ônibus lotados; Yangon, maior cidade do país, tem dia de greve

Reuters
24 de março de 2021 às 09:02
Dentro de ônibus, pessoas acenam ao deixar prisão em Mianmar
Dentro de ônibus, pessoas acenam ao deixar prisão em Mianmar; ativistas falam em centenas de pessoas soltas
Foto: Reuters

A junta militar que governa Mianmar libertou nesta quarta-feira (24) centenas de manifestantes presos durante a repressão brutal aos protestos contra o golpe de estado no país.

Vários ônibus lotados saíram da prisão de Insein, em Yangon – maior cidade do país –, disseram testemunhas e advogados de alguns dos presos.

Não houve nenhum tipo de comunidado das autoridades sobre quantos prisioneiros foram libertados. Um porta-voz dos militares não retornou os contatos feitos pela agência Reuters.

“Todos tinham sido presos devido aos protestos ou em operações noturnas contra quem estava fora de casa para comprar alguma coisa”, disse um membro de um grupo de assessoria jurídica que estimou ter visto cerca de 15 ônibus deixando a prisão.

O grupo ativista da Associação de Assistência para Prisioneiros Políticos (AAPP) diz que pelo menos 2.000 pessoas foram presas na repressão militar aos protestos contra o golpe de 1º de fevereiro.

Entre os libertados na quarta-feira, estava Thein Zaw, jornalista da Associated Press (AP) que foi preso no mês passado. Segundo a AP, o juiz retirou as acusações contra Zaw alegando que ele estava fazendo seu trabalho no momento da prisão.

Greve silenciosa

Em Yangon, muitas empresas permaneceram fechadas e as ruas ficaram desertas depois que ativistas anti-golpe convocaram uma greve silenciosa.

"Sem sair de casa, sem fazer compras, sem trabalhar. Tudo fechado. Apenas por um dia", disse Nobel Aung, ilustrador e ativista, à Reuters.

"Os vendedores de carne e legumes nas ruas não apareceram", disse um morador do distrito de Mayangone na cidade. "Nenhum barulho de carro, apenas pássaros."

Um professor no distrito de Kyauktada disse que as estradas estavam desertas. “Não tem muita gente nas ruas, só entregadores de água”, disse o morador.