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    COP27

    A dois dias da COP27, relembre o que ficou decidido na Conferência de 2021

    COP26 teve como principal acordo o compromisso aprovado por mais de 200 países para reduzir o uso de combustíveis fósseis

    COP26 em Glasgow, na Escócia, em 2021
    COP26 em Glasgow, na Escócia, em 2021 ADRIAN DENNIS/AFP/Getty Images

    Anna Gabriela Costada CNN*

    em São Paulo

    Começa no próximo domingo (6) a 27ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP27), no Egito. Por cerca de duas semanas, os olhares de todo o mundo estarão voltados para as principais pautas climáticas globais. Algumas delas, são antigas e já foram discutidas em outras conferências. Em novembro do ano passado, a COP26, realizada em Glasgow, na Escócia, teve como ponto central a tentativa de reduzir o uso de combustíveis fósseis.

    A 26ª Conferência do Clima aprovou um compromisso, assinado por mais de 200 países, para buscar fontes de energia alternativas. O acordo final trouxe, pela primeira vez na história, uma referência aos combustíveis fósseis, em especial o carvão, e sua influência na crise climática.

    Também durante a COP26, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), os países concordaram em entregar compromissos mais fortes em 2022, incluindo planos nacionais atualizados com metas mais ambiciosas.

    “No entanto, apenas 23 dos 193 países apresentaram seus planos à ONU até agora”, disse a Organização.

    O objetivo principal do acordo da COP26 é impedir que as emissões de gases poluentes, como o carbônico e o metano, levem a um aquecimento global acima de 1,5ºC.

    Segundo cientistas, o valor representa um limite que, se ultrapassado, agravaria os impactos da crise climática e levaria a mudanças climáticas catastróficas.

    Demais comprometimentos

    Durante a COP, cerca de 120 países — representando 90% da cobertura florestal do planeta — se comprometeram a deter e reverter o desmatamento até 2030.

    Houve ainda compromisso financeiro. Um novo fundo foi aprovado para zerar o desmatamento ilegal até 2030 — deve ser constituído até 2025 e teve os Estados Unidos como o maior doador, com o compromisso de injetar US$ 12 bilhões.

    Outros US$ 7,2 bilhões devem vir de empresas privadas. Mas não foi ainda esclarecido como esse dinheiro chegará aos projetos, de fato.

    Pelo menos 13 países também se comprometeram a acabar com a venda de veículos pesados movidos a combustíveis fósseis até 2040.

    Cinegrafista em frente ao logo da COP26 durante entrevista coletiva em Glasgow 05/11/2021 / REUTERS/Phil Noble

    Resultados

    O sucesso definitivo do acordo será determinado pelas ações futuras dos 200 governos que o assinaram, isso de acordo com os anfitriões, o Reino Unido, além de participantes e observadores da cúpula.

    “Acho que hoje podemos dizer com credibilidade que mantivemos o limite de 1,5 grau ao nosso alcance. Mas o pulso ainda está fraco, e só sobreviveremos se cumprirmos nossas promessas”, disse o presidente da cúpula, Alok Sharma, após a assinatura do pacto, em 13 de novembro de 2021.

    Opiniões

    A COP26, realizada em Glasgow, não foi radical o suficiente para buscar conter a crise climática, acreditam especialistas ouvidos pela CNN.

    O acordo faz uma menção sem precedentes ao papel dos combustíveis fósseis na crise climática. Isso é algo que nem mesmo o histórico acordo de Paris foi capaz de alcançar.

    Quando questionada sobre sua opinião sobre todo o acordo, até a diretora executiva do Greenpeace International, Jennifer Morgan, viu a inclusão do carvão como uma vitória para o clima.

    “É manso, é fraco e a meta de 1,5ºC está viva por um triz, mas um sinal foi enviado de que a era do carvão está terminando. E isso importa”, disse ela. Sharma enfrentou dúvidas sobre a maneira como ele lidou com a mudança de última hora, pela qual ele se desculpou mais tarde.

    “Isso não nos deixará mais perto da meta dos 1,5ºC, mas tornará mais difícil alcançá-lo”, disse a ministra suíça do Meio Ambiente, Simonetta Sommarug, recebendo uma longa salva de palmas.

    Mas o ministro do Meio Ambiente da Índia, Bhupender Yadav, que se opôs ao texto, disse que seria difícil para seu país acabar com o uso do carvão e com os subsídios aos combustíveis fósseis enquanto tenta combater a pobreza.

    “Como alguém pode esperar que os países em desenvolvimento façam promessas sobre a eliminação gradual dos subsídios ao carvão e aos combustíveis fósseis?” ele perguntou.

    “Os subsídios fornecem segurança social e apoio muito necessários”, disse ele, dando o exemplo de como a Índia usa os subsídios para fornecer gás natural liquefeito para famílias de baixa renda.

    Com informações da Reuters e da CNN Internacional*