‘Animais estão pegando fogo’, dizem fazendeiros sobre incêndios na Turquia

Altas temperaturas e baixa umidade causam incêndios; especialistas atribuem desastre às mudanças climáticas

Gul Tuysuz e Arwa Damon, da CNN

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Chamas e fumaça aumentam após  incêndio florestal no distrito de Silifke, em Mer
Foto: Chamas e fumaça aumentam após incêndio florestal no distrito de Silifke, em Mersin, na Turquia/Sezgin Pancar / Agência Anadolu / Getty Images

Na pequena vila de Kacarlar, na costa sul da Turquia, os fazendeiros estão enfrentando cenas apocalípticas enquanto os incêndios continuam varrendo o país.

“Os animais estão pegando fogo”, disse o morador de 56 anos, Muzeyyan Kacar, à CNN. “Tudo vai queimar. Nossa terra, nossos animais e nossa casa. O que mais nós temos, afinal?”

Pelo menos seis pessoas morreram em dezenas de incêndios que começaram no início desta semana, em meio a temperaturas escaldantes de verão e incêndios que, dizem os especialistas, foram agravados pela mudança climática.

Entre as vítimas estão dois bombeiros que foram mortos lutando contra as chamas neste sábado (31), de acordo com o Ministério da Agricultura e Florestas da Turquia.

Desde quarta-feira (28), 88 incêndios ocorreram em todo o país, disse o ministério. Dez incêndios ainda estavam acontecendo neste sábado, acrescentou.

O presidente turco Recep Tayyip Erdogan declarou partes de cinco províncias da costa mediterrânea da Turquia como “zonas de desastre”, após uma visita de helicóptero às áreas devastadas.

“Continuaremos a tomar todas as medidas para curar as feridas de nosso povo, para compensar as perdas e melhorar as oportunidades para melhor do que antes”, acrescentou o presidente em um tuíte neste sábado.

O maior incêndio, em Manavgat, na província de Antalya, matou pelo menos três pessoas, de acordo com a Diretoria de Desastres Naturais e Emergências da Turquia (AFAD).

No vilarejo próximo de Kacarlar, os moradores estão desesperados por ver as casas que construíram à mão queimando até o chão.

“A casa do meu pai pegou fogo”, disse Gulay Kacar, de 48 anos. “Acabou, acabou, acabou”, disse Kacar, antes de acrescentar que ela estava “correndo para soltar os animais”.

Namet Atik, um agricultor de 37 anos de uma aldeia vizinha, disse que veio a Kacarlar para ajudar. “O que quer que esta vila precise … estamos aqui para eles”, disse ele à CNN

“Conseguimos água, carros, tratores, serras para eles”, acrescentou. “Somos aldeões da floresta. Nosso sustento é a floresta. Se o fogo continuar, não haverá retorno.”

Os turistas também foram evacuados por mar de um resort em Bodrum, na costa do Mediterrâneo, na quinta-feira (29). A evacuação foi uma precaução e a área foi fechada ao tráfego para permitir o fácil acesso dos caminhões de bombeiros, informou o TRT.

Cerca de 4.000 funcionários, junto com centenas de veículos de emergência, foram destacados pelo governo para ajudar a combater as chamas nesta semana.

Pelo menos 77 casas foram danificadas na província de Antalya, e mais de 2.000 animais de fazenda morreram, disse o ministro da Agricultura e Florestas da Turquia, Bekir Pakdemirli, a jornalistas na quinta-feira.

Filhote de cabra é resgatado em Antalya, na Turquia, durante incêndio florestal
Foto: Filhote de cabra é resgatado em Antalya, na Turquia, durante incêndio florestal / Orhan Cicek / Agência Anadolu /Getty Images

Temperaturas escaldantes

O clima quente e seco exacerbou os incêndios, disse Pakdemirli na quinta-feira. Ele acrescentou que temperaturas de 37 Celsius (98,6 Fahrenheit), menos de 14% de umidade e ventos de cerca de 50 quilômetros por hora (31 m.p.h.) ajudaram a espalhar as chamas.

Hikmet Ozturk, especialista em silvicultura da Fundação Turca para Combate à Erosão do Solo, uma organização não governamental que trabalha para proteger as florestas, disse à CNN que, embora 95% dos incêndios na Turquia sejam causados ??por pessoas, a propagação dos incêndios é agravada pela mudança climática.

A área dos incêndios está dentro da Bacia do Mediterrâneo, uma das mais suscetíveis aos riscos das mudanças climáticas, disse Ozturk. “As condições climáticas típicas da região no verão são quentes e secas, o que significa que o risco de incêndios já é alto, e as mudanças climáticas aumentam esse risco”, afirmou.

Os incêndios florestais vêm em um momento em que partes da Europa Ocidental enfrentaram fortes enchentes nas últimas semanas. Cientistas alertam há décadas que a mudança climática tornará mais prováveis ??eventos climáticos extremos, incluindo chuvas fortes e enchentes mortais.

Gul Tuysuz e Arwa Damon da CNN reportaram da Turquia. Sheena McKenzie escreveu de Londres. 

(Texto traduzido. Leia aqui o original em inglês.)

 

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