Biden reconhece como genocídio massacre contra armênios durante 1ª Guerra

Em comunicado, o presidente Joe Biden disse que "o povo americano homenageia todos os armênios que morreram no genocídio que começou há 106 anos"

Renato Barcellos, da CNN, em São Paulo

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O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, reconheceu formalmente neste sábado (24) que os assassinatos e deportações sistemáticas de centenas de milhares de armênios pelas forças do Império Otomano no início do século XX foram “genocídio“.

Em um comunicado, Biden disse que “o povo americano homenageia todos os armênios que morreram no genocídio que começou há 106 anos”.

“Ao longo das décadas, os imigrantes armênios enriqueceram os Estados Unidos de inúmeras maneiras, mas nunca se esqueceram da trágica história que trouxe tantos de seus ancestrais às nossas terras. Honramos sua história. Nós vemos essa dor. Afirmamos a história. Fazemos isso não para culpar, mas para garantir que o que aconteceu nunca se repita”, escreveu.

Após a declaração do presidente dos Estados Unidos, o primeiro-ministro da Armênia, Nikol Pashinyan, enviou uma carta a Biden expressando gratidão pelo reconhecimento oficial e condenação do Genocídio Armênio.

“Sua mensagem concluiu o processo de reconhecimento do Genocídio Armênio nos Estados Unidos”, diz um trecho da carta.

Com o reconhecimento, Biden cumpriu uma promessa de campanha que fez há um ano para reconhecer que os eventos de 1915 a 1923 foram um esforço deliberado para exterminar os armênios.

Embora os ex-presidentes dos EUA tenham lamentado o ocorrido na Armênia, eles evitaram o emprego da palavra “genocídio” temendo uma complicação na relação com a Turquia, país aliado na Otan e importante potência no Oriente Médio.

Com a declaração de Biden, o porta-voz da presidência da Turquia, Ibrahim Kalin, afirmou que os Estados Unidos deveriam olhar para o próprio passado,

“Condenamos de maneira veemente e rejeitamos os comentários do presidente dos EUA, que apenas repetem acusações daqueles cujo único propósito é a inimizade contra nosso país”, disse Kalin, no Twitter. “Aconselhamos o presidente dos EUA a olhar para o seu próprio passado e presente (de seu país)”.

Durante a campanha presidencial, Biden prometeu fazer dos direitos humanos um guia central de sua política externa. De acordo com ele, deixar de chamar as atrocidades contra o povo armênio de genocídio abriria o caminho para futuras atrocidades em massa.

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